Acordou disposto a matar hoje?

Terça-feira estava indo pro trabalho pedalando e quando já estava entre Pinheiros e Jd. Paulistano, na rua Mariana Correia, rota boa pra bicicleta, me posicionei à esquerda (pra justamente entrar à esquerda) quando o motorista atrás de mim buzinou e jogou o carro pra cima, disputando o espaço comigo na curva, tentando me tirar da pista!

Ocupei o meio da faixa para ter certeza que ele não ía me tirar uma fina deixando claro que eu estava ali e então ele me ultrapassou de forma assassina, invadindo a contramão, sem se preocupar que no local a ultrapassagem é proibida, há inclusive tartarugas dividindo a pista e centímetros à frente há uma rotatória!  

Não satisfeito, ele jogou o carro pra cima de outro carro ainda na rotatória (rolou aquela buzinada clássica..) e seguiu costurando no trânsito.. Perdi as contas de quantas infrações cometeu mas sei que colocou a minha vida em risco 2 vezes e ameaçou diretamente a vida dos ocupantes do outro carro também.

Segui meu caminho observando a barbárie de longe e torcendo pra que ele não deixasse rastros de sangue no caminho. Quilômetros depois, já no final da Rua João Cachoeira o encontrei no farol, o Meriva cinza, placa EFA 7308. Encostei ao lado do motorista e dei uma batidinha no vidro. Automaticamente o motorista fez menção de sair com o carro mas aí notou que havia um carro parado à sua frente e o farol ainda continuava vermelho. Para minha surpresa, ele baixou o vidro.

– Você acordou disposto a matar hoje? Jogou o carro duas vezes pra cima de mim, depois jogou em cima do outro carro na rotatória, pra quê isso? Eu tenho vida, eu tenho família, eu quero chegar viva. Pra quê? Não estamos os dois aqui agora?

Com a maior tranquilidade e cara de frigobar ele não disse nada, segundos se passaram e ele falou: use capacete. E saiu com a abertura do farol.

E eu pergunto novamente: pra quê isso?

Capacete? O que um capacete poderia fazer se você passasse com o carro em cima de mim meu querido? Alô? Carro pode matar, sabia?

E a passageira do carro? Do mesmo jeito que estava lendo seu jornal, ficou. Um par de frigobares, feitos um para o outro..

Para minha felicidade, no cruzamento seguinte ele seguiu reto e meu caminho fazia uma conversão à direita. Aproveitei o farol para ligar para CET (1188) e informar a condução perigosa do veículo. Me orientaram a ligar para 190. O fiz e segui meu caminho, na esperança de que uma blitz pudesse parar o “cidadão”, checar documentos, enfim, acalmar a fúria em 4 rodas..

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Deixo aqui a dica: se presenciar situações deste tipo, pegue os dados do veículo, nome da rua e sentido que estava indo e passe para a Polícia pelo 190. Eles vão deixar os dados “no ar”, com sorte o veículo será parado e você pode ajudar a evitar um #naofoiacidente. Nas estradas, tenha sempre o telefone de quem administra a rodovia.

O telefone da CET, 1188, vale para denunciar infrações, como veículos estacionados em local proibido e etc. A CET aciona os agentes próximos. Se tiver tempo (máx. 30 min.) aguarde no local, você vai constatar que funciona mesmo!

Denuncie comportamentos agressivos, chega de mortes no trânsito! Ninguém precisa morrer no caminho até a padaria, ou do trabalho, ou no feriado indo pra praia…

Acordou disposto a matar hoje?

Há flores em tudo que eu vejo…

Uma das coisas que mais me encanta no meu dia-a-dia de bike é essa possibilidade de estar mais próxima da cidade.

Em cima da bicicleta, o caminho me pertence mais, vejo beleza onde antes não reparava e me impressiona o fato de ela sempre ter estado lá sem que eu tivesse notado!

A cidade está cheia de ipês floridos! Eles são o colorido sob o cinza habitual, arrancam de mim um sorriso bobo, de quem acredita que a felicidade está nas pequenas coisas da vida.

Arredores da estação de trem Osasco 

Há flores em tudo que eu vejo…