Das serras catarinenses para as serras gaúchas

Deixei Urubici! Foi pouco mais de uma semana, mas parecia que havia morado ali por muito tempo. Segui pela BR-282, sentido Lages, numa manhã de trânsito um tanto agitado. Tive que ajudar motoristas a fazer ultrapassagens por várias vezes, foi um trecho não muito agradável no começo, depois melhorou o tráfego, mas veio a chuva e isso me deixou um tanto chateada, muitos caminhões, muito spray da chuva e deles… Lá pelo horário do almoço parei num destes postos de atendimento ao usuário da rodovia (uma dica, tem sempre água, café, banheiros, wifi) e descansei um pouco ali, esperando meu ânimo melhorar. E melhorou. A chuva foi se dissipando também e quando cheguei à divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul a alegria se infiltrou novamente em mim.

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Um dia é longo o suficiente para começar ruim e mudar completamente

Pretendia seguir até Nova Petrópolis, onde encontraria o Daniel Chagas, o amigo gaúcho, e seguiríamos para Porto Alegre, mas ao chegar a Caxias do Sul mudei os planos. Eu havia subestimado a quantidade de serras que percorreria, e serras pedem velocidade menor, mais ultrapassagens, isso tomou mais tempo do que eu esperava, além da manhã não muito favorável que eu havia tido. Combinei com ele então que dormiria em Canela e nos encontraríamos lá na manhã seguinte. Por fim, foi uma ótima escolha, pois pudemos passear pela região, onde eu somente iria passar no plano inicial.

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A clássica e encantadora entrada de Gramado

Já em Canela, parei para tirar uma foto da Catedral de Pedra e quando estava checando o endereço do hostel, um rapaz veio conversar comigo. Ali na minha frente, um típico gaúcho, com seu sotaque e chimarrão na mão, olhou cada detalhe da minha moto, um apaixonado por bonnevilles, me contou com brilho nos olhos das viagens de moto que fez quando alugou uma BMW e explorou a América do Sul, me cumprimentou por minha viagem, entrou no carro e ainda ficou um tempinho me olhando de lá, acredito que tirou algumas fotos. Isso tudo é muito gostoso e eu lamento que estava extremamente cansada naquele dia e tive que fazer um pouco de esforço para ser atenciosa quando meu corpo pedia: vá para o hostel tomar um banho e relaxar, mas se não fossem esses encontros, não haveriam histórias não é mesmo? Nos cruzamos ainda em outra rua e o moço acenou e buzinou novamente e percebi como inspiramos as pessoas e trazemos à tona as boas recordações de viagens, fiquei grata pelos minutos que ganhei conversando com ele.

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Catedral de Pedra em Canela

Na manhã seguinte um abraço no amigo que não via há 4 anos, um passeio lindo pela barragem de São Francisco de Paula (vai bonneville, vai fazer off e andar nas pedras de cachoeira que você foi feita pra isso, rá!), uma pausa ainda em São Chico para comer um xis e prosear. (Dias depois eu saberia que um vendaval atingiu a cidade causando enorme destruição, ali onde sentamos e conversamos num dia lindo de sol, o ginásio havia desabado, tristeza sem fim senti e um respeito imenso pelas forças da natureza)

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Uma Intruder e uma Bonneville, claramente com vocação para ser trail

Dali descemos umas serras lindas  pela Rota do Sol e chegamos a Torres. Finalmente conheci uma praia no Rio Grande do Sul! E me encantei! A partir deste momento eu não permitiria mais que falassem que aquele estado não tinha belas praias. Vá a Praia da Guarita. Apenas vá. Foi um lugar que ficamos pouco pois seguiríamos a Porto Alegre preferencialmente antes de escurecer e pela primeira vez lamentei não mudar o cronograma e ficar um dia a mais ali.

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Torres e a praia gaúcha que me encantou

No dia seguinte fui conhecer Porto Alegre. Fazia um calor infernal. In-fer-nal. Almoçamos em frente ao Rio Guaíba e trovamos (não é proseamos, lá é trovamos) à sombra das árvores quando avistamos uma tempestade se formando. Saímos de lá no intuito de evita-la mas pegamos parte dela e eu achei o banho de chuva maravilhoso e curto, logo acabou, mas refrescou bastante, tornando o passeio mais agradável.

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Guaíba e o temporal

Passamos em frente ao Estádio Beira Rio (é na beira do rio mesmo, hehe), fomos ao mercado municipal, caminhamos pelo centro, que é muito parecido com o centro de São Paulo em sua arquitetura, estátuas, por vezes me senti em minha cidade, ali pelos lados da Avenida Nove de Julho, que já foi meu trajeto diário por um bom tempo. Depois fomos ao Parque Redenção e só então eu me dei conta da grandiosidade do Parque do Ibirapuera, e de São Paulo como um todo. Redenção é lindo e agradabilíssimo, mas nas proporções de uma capital bem menor. Proporção que talvez até então não fosse clara para mim, nascida e criada numa das maiores metrópoles do mundo. Um turbilhão de questionamentos sobre qualidade de vida nas grandes cidades tomou conta dos meus pensamentos.

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Os cuscos mais amorosos que eu já conheci na vida!

E depois do tour guiado pela capital gaúcha, foi hora de fazer os planos para seguir até o Chuí e finalmente: Uruguai!

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Das serras catarinenses para as serras gaúchas

2 comentários sobre “Das serras catarinenses para as serras gaúchas

  1. Ivo disse:

    Show, Camila. Muito bom! Meu povo é realmente hospitaleiro. Estive em Gramado um pouco depois de você, revisitando a cidade depois de mais de 30 anos sem vê-la. Já gostava antes e agora então, nem se fala. Vontade de morar lá.

    Que venham mais relatos. Estou adorando ler.

    Abs,

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