São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

2017, 16 de fevereiro, quinta-feira a noite.

Aguardava ansiosamente o resultado de um processo seletivo de trabalho, daqueles com 88 etapas que alimentam nossa ansiedade cada vez que contamos toda nossa trajetória profissional para uma nova pessoa. Eu não queria passar a sexta-feira envolta em ansiedade. Decidi que faria um passeio de moto. Estrada da Graciosa, perto de Curitiba, uma cidade na qual já estive algumas vezes mas geralmente com pouco tempo, era a hora de descer a estrada histórica até Morretes, talvez eu seguisse até Paranaguá.

Enquanto arrumava minha pequena bagagem, duas camisetas, um biquini (porque aprendi com uma amiga, a Rosa Freitag, que sempre pode haver uma cachoeira no caminho e você PRECISA aproveitar para se refrescar), mais uma calça (vai que chove e você se molha…),  enquanto separava essas coisinhas para sair cedo no dia seguinte, recebi a devolutiva negativa da empresa. Um pouco de decepção, mas me pareceu também um bom sinal um e-mail já depois da meia-noite, indicando que as pessoas ali abrem mão de muitas coisas para trabalhar, como dormir, ou organizar suas coisas de viagem na madrugada.

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Café da manhã em Peruibe – Dica: sempre que desço para a BR116 sentido Curitiba, passo primeiro pelo litoral paulista via BR101, evitando assim a complicada serra do cafezal

E o plano era esse, descer a Graciosa, dormir em Morretes, talvez Curitiba, talvez Paranaguá. Mas quando se pega a estrada, há coisas que fogem ao nosso controle, como a vontade de ir mais longe, as reflexões sobre a vida, sobre como usamos nosso tempo e fui percebendo que ali, na estrada, em cima da minha moto, com duas camisetas e uma escova de dentes na bagagem, eu tinha um mundo de possibilidades.

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Tudo parece muito perto. E é.

E foi assim que começou a viagem que durou pouco mais de um mês, e me levou de São Paulo até Colonia Del Sacramento no Uruguai, costeando o litoral deste país incrível, tão próximo e tão desconhecido até então para mim.

Durante toda a viagem, meus roteiros e destinos foram sendo definidos um dia por vez, baseados no que pensava na estrada, nas conversas que tinha com quem encontrava no caminho, ou com as pessoas que tive a felicidade de rever logo à frente. Eu não tinha pressa e queria experimentar essa nova forma de viajar, sem um planejamento prévio e respeitando minhas vontades que mudavam o tempo todo diante de tantas possibilidades. Obviamente eu tinha um limite de gastos, mas tinha tempo, e descobri quão valioso nosso tempo pode e deve ser.

 

 

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Portal da Estrada da Graciosa – aqui eu já sentia que queria ir mais longe, por que não então?

Cidades em que fiquei:

São Paulo
Morretes – meu destino inicial, onde conheci o Júnior que foi comigo até Floripa
Florianópolis – 1 dia a mais e com uma hora a mais devido ao fim do horário de verão
Urubici – 8 dias… uma vida é pouco nas serras catarinenses
Canela – porque havia muitas serras no caminho até Nova Petrópolis
Porto Alegre – 2 dias, na companhia do amigo gaúcho Daniel Chagas
Chuí – hora de me preparar para a entrada no Uruguai
La Paloma – decidi ficar 1 dia a mais assim que cheguei, ficaria uma vida também
Piriápolis – 1 dia a mais por causa do vendaval em Montevideo, meu destino seguinte
Montevideo – que capital!
Colonia del Sacramento – 1 dia a mais, no limite da carta verde, pela paz do lugar
Santa Vitória do Palmar – porque não achei a cabana do Chuí onde me hospedei na ida
Pelotas – no melhor hostel em que já me hospedei
Palhoça – fim de um dia que rendeu mais do que eu esperava
Peruibe – casa dos meus pais, refúgio antes de voltar para a selva de pedra
São Paulo – em seu primeiro dia de outono

Foram 6.200 km de descobertas. Aos poucos colocarei minhas lembranças desta linda jornada aqui.

Mais fotos em: https://www.instagram.com/miloliv/ e em breve por aqui também.

 

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São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

De SP a Chapada dos Veadeiros-GO – Dia 01, SP-Uberlândia 600 km

No planejamento da viagem, dividimos o trajeto de aproximadamente 1250 km em 3 dias, deixando meio dia livre em Brasília (e portanto menos quilometragem neste dia) para conhecer a cidade:

Planejamento inicial:

  • SP-Uberaba – 480 km
  • Uberaba-Brasília – 520 km
  • Brasília-Chapada dos Veadeiros – 250 km

Saímos no domingo cedinho (em algum momento da vida motociclística chegamos a conclusão de que domingo cedo é o melhor momento para começar a viagem), pegamos a Rodovia dos Bandeirantes e depois a Anhanguera. Estava um dia bonito, temperatura agradável, estrada boa e tranquila. A viagem correu tão bem que por volta das 14h já estávamos pertinho de Uberaba e ainda bem animados, então durante a parada para abastecimento e descanso, decidimos seguir até Uberlândia (+ uns 100 km) naquele mesmo dia, já que nunca se sabe como será a estrada ou o clima mais para frente, decidimos aproveitar.

Primeira parada em Limeira
Primeira parada em Limeira

Embora eu adore planejamentos e reservas com antecedência, aprendi que nem sempre é o melhor jeito e passamos a evitar reservas de hospedagem. Para esta viagem, apenas a pousada na Chapada dos Veadeiros ficou reservada, por tratar-se de local turístico e termos bastante flexibilidade de tempo para chegar até lá (3 dias). Na viagem que fizemos para o Espírito Santo, tínhamos reservado um hotel em uma cidade do caminho mas como minha moto quebrou e acabei indo de garupa, o tempo de decidir o que fazer + aguardar guincho + a chuva torrencial que pegamos + a estrada ruim, ou seja, tudo isso, acabou atrasando nossa viagem e perdemos a reserva já paga :( A partir de então evitamos ao máximo. Passamos a olhar os arredores de onde pretendemos pernoitar e a estrutura de hoteis através do Booking e quando já estamos a poucos quilômetros do lugar é que fazemos a reserva pelo celular. Se não tem internet onde paramos, seguimos direto até o hotel. Damos preferência para: proximidade da estrada, estacionamento gratuito, se possível coberto (pagar para duas motos não é legal, sem contar que às vezes o estacionamento é terceirizado, do outro lado da rua…), internet (pra checar mapas) e, claro, lemos as avaliações pra saber como é o mais importante pra nós: o chuveiro. É, um bom banho quente pra quem rodou centenas de quilômetros no dia faz toda a diferença. Costumávamos nos hospedar mais em pousadas simples, mas acabamos tendo sempre problemas com o chuveiro então, sempre que estamos em cidades maiores e o orçamento da viagem permite, acabamos buscando redes como o Ibis (que tem um chuveiro maravilhoso, praticamente uma massagem) ou Nacional Inn que tem preços bem honestos (que muitas vezes empata com as pousadas) e um conforto básico que pode fazer a diferença nos dias seguintes. (e mesmo sendo a duplinha mais azarada com chuveiros, se algo der errado, eles terão outros quartos pra nos oferecer)

Nos hospedamos então no Ibis Uberlândia, em frente a um shopping e supermercado Carrefour. O Ibis oferece um café da manhã pago mas como eu não gosto muito das opções deles (acho tudo muito industrializado, diferença de um café de pousada… é, não se pode ter tudo..)  acabamos comprando umas coisinhas no mercado mesmo. Como chegamos cedo ainda assistimos um filminho e pudemos descansar bem.

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Parada em Orlândia

Eu não gosto de pilotar a noite, minha visão fica muito prejudicada o que me deixa insegura e, consequentemente muito mais cansada. Sem contar das diversas desvantagens de se estar num veículo de duas rodas a noite como não enxergar buracos, obstáculos, óleo na pista. Além do risco de animais, principalmente em regiões mais afastadas dos grandes centros, e de algum problema mecânico. Enfim, se precisar a gente vai, mas meu objetivo é sempre chegar antes do anoitecer. Como isso aconteceu no primeiro dia, me deixou ainda mais feliz.

Tudo tranquilo com as motos. Médias de consumo e autonomia de combustível bem parecidas, Thiago reclamando que às vezes fico muito longe, tudo dentro do normal.

Comigo, só o já esperado banco desconfortável. Cheguei com muita dor nas costas, mas nada que a água quente do banho não tenha curado, no dia seguinte estava ótima. (mas vamos trocar esse banco assim que possível!)

Estrada ótima até lá Uberlândia, mas entrando em MG começam os pedágios (em SP motos não pagam pedágio). Mas quando a estrada é boa, sinceramente, nem reclamo.

De SP a Chapada dos Veadeiros-GO – Dia 01, SP-Uberlândia 600 km

São Paulo – Rio Grande do Sul – 2.671 kms, 9 dias

Pedacinho do sul desbravado..
Pedacinho do sul desbravado..

Olhando agora fotos, vídeos, mapas.. caracas! Rodei mesmo tudo isso?

É, foi um desafio e tanto. Enfiei a motoca em cada estrada que olha…  mas valeu muito a pena!

Fomos de São Paulo até Curitiba debaixo de toda a chuva do universo (obrigada Riffel por fazer jaquetas impermeáveis de verdade, a Nômade por manter meus pés sequinhos dentro da bota e a boa e velha calça da Passo Bom por manter as pernas secas mesmo depois de vivenciar o dilúvio na estrada).

Intruder 250, XT 600 e Ténéré 250, ainda secas e limpinhas, na divisa PR-SC
Intruder 250, XT 600 e Ténéré 250, ainda secas e limpinhas, na divisa PR-SC

Deixamos o Guga, nosso amigo e excelente companhia de estrada em Floripa. Dali fomos até Urubici-SC no melhor estilo Enduro (aquele joguinho do Atari, onde você mal enxerga a pista – é, tenso..) e encontramos o Daniel Chagas, o amigo virtual de anos, cujas mensagens agora leio com sotaque gaúcho! Seguimos os três  para o Morro da Igreja (é preciso pegar autorização, gratuita, no Ibama em Urubici), depois Serra do Rio do Rastro, Praia Grande até finalmente Cambará do Sul e seus cânions Fortaleza e Itaimbezinho, além das inúmeras cachoeiras por todo o caminho. Uns 100 kms de estrada de chão, com cascalho, com pedras pontiagudas, com neblina, teve de tudo. Teve o dia em que fomos de moto até a padaria pois pretendíamos sair pra passear depois na cidade vizinha, Gramado (e seu natal luz) mas o papo tava tão bom que ficamos por ali os três falando de moto, de destinos, até o cansaço bater e a gente voltar os 500 metros de brita pra dentro do camping denovo.

Neblina, Serra do faxinal, a caminho dos cânions
Neblina, Serra do faxinal, a caminho dos cânions
Intruder 125 do Daniel, estilosérrima
Intruder 125 do Daniel, estilosérrima – Morro da Igreja
Contação de histórias
Contação de histórias nos cânions

Comemos muito xis, aprendemos que o melhor remédio pro calor é molhar a camiseta de dry fit, dar uma torcidinha de leve e vestir. Depois de uns dias rodando junto com o Daniel pelas bandas que ele conhece muito bem, de tanta indiada que já viveu por ali de bike e de moto, nos despedimos em Nova Petrópolis (e seus 38 graus), onde a estrada bifurca, era o começo da nossa volta.

Estradinha em Jaquirana, voltando da cachoeira dos Venâncios
Estradinha em Jaquirana, voltando da cachoeira dos Venâncios

Dividimos a volta em mais 2 dias, pernoitando em Caxias do Sul naquela noite, depois em Lages e por fim em Curitiba, onde minha moto decidiu fazer birra e apagar de vez a bateria, possível protesto pelo fim da viagem. O último dia, apesar das cargas na bateria a cada parada (e dos mais de 400 kms que nos aguardavam) foi tranquilo. Passagem pelo litoral de São Paulo e todo aquele montão de gente que desce a serra pra passar a virada do ano na praia. Subida da serra por aquela pista (maldita!) da Imigrantes cheia de ranhuras onde minha moto dança de um lado pro outro.. e no fim da noite estávamos em casa, onde a bateria acabou, a da moto, não a minha.

Tempo fechado e friozinho (na barriga!) na descida da Serra do Rio do Rastro
Tempo fechado e friozinho (na barriga!) na descida da Serra do Rio do Rastro

Foram 9 dias de estrada, de paisagens lindas, histórias e planos. Não dá pra ficar longe da estrada e, por mais que a gente faça uns passeios de fim de semana, é muito bom fugir de tudo e sumir estrada afora por dias, deixando os pensamentos fluirem em paz em cima da moto.

Chegando aos cânions
Chegando aos cânions

Encontrar outros motoqueiros pela estrada também é uma alegria, as buzinadinhas e acenos que demonstram como é bom compartilhar dessa paixão. Teve até um moço de Lages que veio simpático cumprimentar dizendo que comentou com a esposa, na garupa, que quando passou por nós achou que era uma mulher “piloteando” a moto. É, não somos muitas ainda, mas estamos aí :)

Foi uma experiência e tanto pra mim, como piloto, pra aprender cada vez mais e também para conhecer bem a minha moto. Sei agora tudo o que me faz ama-la e o que poderia ser melhor.

Recompensas do caminho
Recompensas do caminho

Para 2014, quero muitas viagens:)E quero uma moto trail pois ontem andei de XT 225 na terra, no cascalho e, bah! Brincadeira de criança! Me vejo daqui uns meses, num domingo de sol, sentada num bar tomando uma Tubaina, moto na porta, com barro até os joelhos e rindo…

A mini-custom não decepcionou, mas uma trail ía bem nessas horas..
A mini-custom não decepcionou, mas uma trail ía bem nessas horas..

Aqui tem uns vídeos da viagem, registros nossos que comprovam a mim mesma que foi tudo verdade, que era tudo lindo mas que tinha cascalho pra caramba, e a gente foi lá, venceu, e como recompensa ganhou paisagens, experiência e lembranças incríveis pra vida:)

PS 1: Valeu Guga, Daniel, não tenho palavras pra descrever a felicidade que é tê-los no meu retrovisor, ou à minha frente, compartilhando essa alegria e as “pedrinhas” do caminho. Grande beijo!

PS 2: Thi, obrigada por me incentivar a melhorar sempre, meu motoqueiro exigente! Pode elogiar de vez em quando que também não faz mal tá!

 

Atualizando, relato desta viagem na Revista Motociclismo Maio/2014

https://miloliv.wordpress.com/2014/05/10/relato-de-viagem-na-revista-motociclismo/

 

 

São Paulo – Rio Grande do Sul – 2.671 kms, 9 dias

Salão Duas Rodas 2013 – as motos que “vestem” bem e os test rides

Primeira vez que fui e simplesmente amei!

Nos estandes subi em várias motos, pra sentir aquelas que “vestem” melhor e fiquei surpresa em ver como algumas vestem mal, o que faz eu gostar ainda mais da minha Suzuki Intruder 250 (momento em que você valoriza ainda mais sua moto <3 )

Adorei as motos da Yamaha, Lander, Ténéré.. e achei as novas Fazer lindas! Me fez lembrar dos textos que li dizendo que a Yamaha parece por tradição se preocupar mais com o prazer em pilotar do que algumas outras marcas, num comparativo entre a mesma categoria de motos da Honda, espero que ela dê bastante trabalho para a concorrente:P

Não curti nenhuma moto da Suzuki, nem a Intruder 125, bem parecida com a minha até, mas toda de materiais mais frágeis, banco desconfortável, uma pena.. A Gladius, grande lançamento, não é um estilo que me agrada, então…

Na BMW curti subir nas já apreciadas GSs (e todo aquele espetáculo do estande, com uma violinista tocando Eleanor Rigby e tal..) Acho que se eu tiver uma moto dessas ficará difícil viver longe da estrada…

Na Harley Davidson, a delícia da Heritage Softail, o que é aquilo gente? Maravilhosa posição de piloto e garupa. Já nas outras Harleys como a Sportster (e outras que não lembro), achei a “caixa” do filtro de ar no lado direito da moto totalmente incômoda na perna, também não curti a posição de pilotagem, decepção total… (engraçado que mesmo tendo apenas 1,63m achei deliciosa a Heritage que é grandona, mas não fiquei com os braços super esticados nela, por exemplo.) Claro que tudo isso é ponto de vista de simplesmente subir na moto, mas sei lá, acho que quando essa primeira impressão já te ganha, fica difícil se decepcionar muito depois..

Na Dafra, curti a Horizon 250, pelo conforto, beleza e leveza (a moto não estava presa, dava pra sentir o peso!) mas soube que a ficha técnica como uma mini-custom deixa a desejar.

Na Triumph a moto pela qual me apaixonei: Bonneville T100! Uma custom naked grande mas que não me assusta! (algumas me assustam hehe) Achei deliciosa e fiquei louca pra dar uma volta.. Essas motos retrô…

O que dizer das Ducati? As motos que “vestem” incrivelmente bem.. felizmente essas motos mais velozes não são as que me chamam mais a atenção, logo, não vou ficar sonhando com uma moto digamos, não muito acessível… :P

Mas falando em Ducati! Tinha a área externa reservada aos test rides e shows de freestyle. Tivemos que voltar no domingo pois era muita coisa para ver num dia só!

Testei a trail da Honda, a CRF 250, bem gostosinha! Depois foi a vez de finalmente andar de Ténéré 250 no test ride da Yamaha. Achei a moto bem pesada e alta (em ambas fiquei na pontinha dos pés, medo de não dar conta de parar, hehe) mas valeu a pena, deu pra sentir um pouquinho da Té! E já que estávamos por lá mesmo, testamos os modelos 150cc da Keeway, que, pra mim, pareceram umas bicicletinhas com motor, levinhas, deve ser legal, ágil, pra quem usa a moto no dia-a-dia, a qualidade já não sei dizer.

Mas voltando ao test ride da Ducati.. O Thiago teve a oportunidade de experimentar a Multistrada 1200 e a Monster 796. Confesso que foi emocionante até pra mim, que só fiquei vendo e ouvindo! Legal que ele filmou, dá pra gente sentir um pouquinho como é dar uma voltinha nessas máquinas italianas incríveis!

Pra quem tá começando nesse mundo das motos, curti demais o evento, foi um fim de semana dos mais divertidos que já tive!

Motos são veículos apaixonantes, e tem essa capacidade de proporcionar viagens incríveis como não imagino em nenhum outro veículo. (amo as viagens de bicicleta, mas as mais curtas, de moto sinto que posso percorrer o mundo…)

O próximo Salão Duas Rodas é só em 2015. Até lá quem sabe meu coração já se decidiu por trail ou custom né? Ou encontrou outra paixão? Touring… Vai saber…

Salão Duas Rodas 2013 – as motos que “vestem” bem e os test rides

Rua, finalmente!

“Sim, é uma moça na moto” – a mãe responde pra menininha na calçada.

Saída do estacionamento, logo atrás do Thiago, (de bike anjo, a moto anjo). A concentração do momento não permitiu um aceno e o capacete escondeu o sorriso, mas eu não posso decepcionar a menininha.

Voltinha no quarteirão pra sentir a moto, sentir as luvas, e lá vamos nós para os primeiros faróis. Trânsito.. bom pra eu relaxar mais, mas até que estava tranquila. Chegamos na Augusta. Thiago inventa de parar no posto pra encher o pneu da moto dele. Ele faz de propósito eu acho, não podia ir com esse pneu murcho mesmo? rs.. me fazer parar no posto? Mas beleza.

– “Já colocou no neutro?”
– Já.
– “Então por que essa mão na embreagem?”

Saída do posto.

– Thi, como é que eu vou fazer essa curva pra sair no tempo do farol? (subida, carros cruzando..)
– “Eu vou segurar o trânsito pra você e você vai.”
– Thi, você não entendeu, eu preciso de MUITO ESPAÇO pra fazer a curva, vamos esperar o outro farol.

Só ouvi um “ai” quando eu fiz a curva aberta demais e o táxi que iria virar esperou e deu uma piscadinha de farol.

– Estou tranquila, tá tudo bem – Tranquilizo pelo rádio. (um luxo sair de moto com rádio né gente?) Na verdade ele não ficou nervoso, ele nunca fica, ele é muito sangue frio, aprendo com ele.

Rua Augusta tranquila, começo a ficar mais solta. Percebo que as pessoas não tentam te matar na moto. Dou seta, o motorista não me dá a preferência, mas beleza, eu espero e entro depois dele. Lembro do Adonai falando que o primeiro farol a gente nunca esquece..

Esqueço de tirar o pé do freio pra sair e a moto morre, claro. Momento de manter a calma, mas sinto o calor nas bochechas. Thiago com a voz mais tranquila do mundo: “Liga, vai, mas com vontade!”. Farol denovo. “Já pôs no neutro? Por que tá segurando a embreagem?” Tá! Eu aprendo!

Descida da Haddock Lobo, medinho! Descubro o freio motor que o Thiago tanto me falava. Desço tranquila em segunda marcha sem precisar acionar os freios, que maravilha! Fico no farol e o Thiago passa. Combinamos pelo rádio entrar na Estados Unidos.

– Thi, acelera, pode acelerar. – Pedindo pra ele se distanciar mais de mim pra eu não ter que reduzir, olha a folga..

Virar na Rebouças, caminho que faço de bike voltando do Ibira. Um carro na faixa da esquerda para (é, para, no meio da rua..) e quer entrar à direita. Descubro a buzina! Vou narrando pro meu moto anjo o ocorrido, pra ele não se assustar ao ouvir a minha buzinada né. – “Bike feelings já é?” Curvinha pra entrar na Henrique Schaumann e já dar seta pra esquerda (dou seta e buzino..) “Olha a minha trajetória e segue” – Poucos carros, sussa.

Fico no farol da Francisco Leitão. Converso com ele que tira sarro “Abriu o faroooool””, como faz o nosso colega motovlogger Carlos Gonzalez. Não tem como não rir. Nas valetinhas cruzando a Teodoro ele me orienta rapidamente: “primeira, acelera, coloca segunda, segura, acelera denovo” (ou algo assim) – Ih Thi, relaxa, eu vou passar em primeira mesmo… (depois ele me explica em detalhes como fazer)

Última curvinha pra pegar a Cardeal. A motorista “fofa” quer cortar duas motos e entrar direto na segunda faixa. Sem crise, a gente espera a manobra da louca e vai. Estacionar a moto, colocar no cavalete, uhuuuu, cheguei! Sensação de vitória e muita alegria!

E assim, numa noite linda e quente de inverno, muito bem acompanhada, eu andei de moto na rua pela primeira vez.

A menininha ficaria orgulhosa!

Só pra registrar o momento:)
Só pra registar o momento:)
Rua, finalmente!

Dia 01 – SP-Curitiba – 455kms

Primeiro dia! Destino: Curitiba. Pra evitar um longo trecho pela BR-116 decidimos ir pelo litoral de São Paulo via Imigrantes. Não costumo gostar de passar de moto em túneis mas a descida da serra por eles foi bem tranquila. Parada em Peruibe para eu dar um beijo nos meus pais mas eles tinham subido pra São Paulo, saudadinha ficou comigo.. Tomamos o “café da manhã do meio dia” e voltamos pra estrada.

Enquanto eu fotografava, o motorista ao lado dava tchauzinho pra gente. Simpatia na estrada, a gente curte!
Enquanto eu fotografava, o motorista ao lado dava tchauzinho pra gente. Simpatia na estrada, a gente curte!

O trecho de Itariri, Pedro de Toledo fez valer a pena ter rodado 50 quilômetros a mais, estrada livre, sinuosa e cheia de belas paisagens. A BR-116 até que é tranquila, duas faixas, até três em alguns pontos. Depois do km 500 há um trecho surreal onde 3 faixas se tornam uma só, logo depois de uma curva! Mas de resto, bem tranquila mesmo, confesso que estava preocupada com esse pedaço da viagem.

Foi a maior quilometragem de moto num único dia, que por sinal estava lindo. Pelo que me lembro também a primeira viagem de moto que não pegamos chuva, nenhuma gota!!! A temperatura foi caindo aos poucos até chegarmos em Curitiba no ínicio da noite, tive que colocar as luvas impermeáveis, mais quentes pois minhas mãos já queriam congelar! De moto, o vento interfere muito no conforto, então, decidi desta vez sair desde São Paulo com um lenço no pescoço e foi uma ótima ideia, mesmo que não esteja muito frio faz bastante diferença, fica a dica;)

Bom, chegando em Curitiba, demos de cara com isso:

Nããããooooo...
Nããããooooo…

É, apesar dos ônibus incríveis, os curitibanos também tem que lidar com o excesso de veículos.

Abrigo no Roma Hostel, bem no centro, do lado do shopping (comer na praça de alimentação, ô coisa paulista..) e descansar porque amanhã tem Serra da Graciosa e mais uns 290 kms rumo a Floripa!

Uma dica importante gente é sempre que fechar o baú da moto, tirar a chave! rs.. É, rodamos 100 kms com a chave pendurada no baú e só percebemos quando paramos! Além da chave, o controle do alarme também podia ter se perdido pela estrada, não seria nada legal..

Crianças não façam isso em casa!

O vídeo deste dia aqui

Dia 01 – SP-Curitiba – 455kms