La Paloma

Sugestão de música para este relato de viagem, clique aqui para ouvir

Quando amanheceu em La Paloma, decidi caminhar até a praia. Levei um bom tempo neste pequeno trajeto pois havia muitas aves no caminho para observar, eu simplesmente não conseguia deixar de aprecia-las, ninho no poste, aves caminhando na calçada… (já contei sobre meu amor pelas aves não é?)

A praia… Um longo suspiro ao lembrar dela enquanto tento descrevê-la nestas linhas, como se fosse possível descrever La Paloma com palavras, com imagens, que não a experiência de estar ali. Uma praia belíssima, com muitas formações rochosas adentrando o mar e uma areia grossa, fofa, gostosa de pisar e forrada de conchas dos mais variados tipos e formas. Eu, adepta do “tire da natureza apenas fotos e leve apenas suas recordações” confesso que não resisti e comecei a pegar algumas conchas como recordação, enquanto sentia culpa e me perguntava como é que eu ía levar essas conchinhas delicadas na bagagem da moto de volta pro Brasil. Sim, eu dei um jeitinho e, no fim das contas, acho que não fui tão criminosa assim em minha coleta.

Passei aquele dia na praia, caminhando, contemplando e pensando na vida.

La Paloma, assim como Cabo Polonio, também tem seu farol, de onde parece que é possível avistar baleias em algumas épocas do ano e, embora eu não tenha vivido tamanha experiência, subir num farol pela primeira vez foi encantador.

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Em 1872, El Faro del Cabo de Santa Maria, já praticamente pronto, foi destruído por um forte temporal, e 17 pessoas morreram na “tragédia del faro”. Seus corpos foram sepultados próximo ao farol, num local chamado de “El Cementerio del Faro Viejo”. Conta-se que o farol estava sendo construído com água do mar, de difícil fixação dos materiais. Uma história triste sobre as forças da natureza e uma memória importante a ser mantida.

Um vídeo feito lá do alto do farol – clique aqui ;)

Meu dia em La Paloma terminou com um pôr-do-sol estonteante, que contemplei sentada nos rochedos da praia, com meus pés sendo tocados pelo mar. Dá pra imaginar? Até dá né, mas viver isso é indescritível. Se você não conhece este lugar, vá. Todo mundo precisa viver La Paloma. Se nada der certo nesta vida brasileira, eu vou me exilar ali e viver da minha arte, feita do que a natureza uruguaia dá :)

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 Foi sem dúvida o lugar do Uruguai que mais amei. Se você tiver um dia só naquele país, passe-o ali.

Eu voltei pro Brasil, mas um pouco do meu coração ficou lá, ou será que um pouco do lugar veio junto comigo?

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La Paloma

Uruguai: Punta Del Diablo-Cabo Polonio

Quando saí de casa, naquela manhã de fevereiro, eu nem imaginava que uns 15 dias depois estaria no Uruguai. Eu ía só até o Paraná, era apenas um passeio para espairecer, mas parece que eu precisava espairecer mais do que imaginava!

No último post eu falei em 2.500 km rodados até ali não foi? Negativo! Nossa memória nos trai, foram mais de 3.200 km ao chegar a fronteira Brasil-Uruguai, minha primeira fronteira de moto e isso tem um significado imenso.

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3.216 km

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Passada toda a euforia de cruzar a fronteira para outro país pilotando minha motocicleta, parei na Fortaleza de Santa Teresa, um belo forte com um espaço bem estruturado para camping, onde havia muitas barracas. Mas meu destino do dia era outro, o Parque Nacional de Cabo Polônio e eu nem imaginava quão mágico e inesquecível aquele lugar seria para mim.

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Segui pela Ruta 9 e passei por Punta Del Diablo, a primeira praia uruguaia que eu conhecia, linda e distante apenas 45 km do Chuí. Dali, mais 60 km e um pequeno desvio pelas Rutas 16 e 10 e estava na entrada do Parque Nacional de Cabo Polonio. Da entrada do parque até a praia são 7 km permitidos apenas nos veículos do parque, jipes que mais parecem caminhões ou a pé. Quando fiz o trajeto no jipe entendi. Cruzamos areiões imensos até chegar ao vilarejo à beira-mar, onde é possível pernoitar em algum dos diversos hostels.

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A praia é inacreditavelmente bela, daqueles lugares que você não se cansa de olhar e admirar. Passei um bom tempo apenas contemplando a paisagem, entrei no mar, geladinho porém muito bom, sentei na areia e decidi analisar o mapa da praia que havia pego na entrada do parque. E foi aí que me dei conta. O lugar que haviam me dito que poderia ver lobos-marinhos era ali, Cabo Polonio. Fui então aos pontos de avistamento, junto às rochas. Há uma separação por cercas, para segurança dos animais e dos visitantes, com uma plaquinha graciosa escrito “Lobería”, onde é possível avista-los de muito perto e eu os vi! Ali, pertinho de mim, lagarteando ao sol do fim do dia, às vezes se mexiam, se comunicavam uns com os outros. Foi muito emocionante. Eu amo animais e foi uma surpresa maravilhosa passar aquele tempo observando-os, em paz, como sempre deveria ser. Ali lamentei não estar com uma câmera fotográfica, uma lente zoom, fotografei somente no celular, mas o maior registro é sempre o que fica em nossa memória e coração. Eu estive com os lobos no Uruguai! E vou me lembrar para sempre daquele momento mágico.

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Os lobos-marinhos estão aí, é só reparar bem

 

Voltei com o jipe ao estacionamento do parque onde havia deixado a moto, ainda estava claro. Comi algumas empanadas na lanchonete (empanadas, outro amor!), conversei em português com o moço que me atendeu e descobri como os uruguaios nos recebem bem e como amam nosso país, querem falar nosso idioma e contar com orgulho sobre os lugares que conhecem do Brasil.

Decidi seguir até La Paloma, um lugar que a Samara Brochado, grande amiga com quem moro, (e que conheci através do motociclismo, inclusive!), havia recomendado fortemente. No caminho, mais um pôr-do-sol de tirar o fôlego.

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Cheguei a La Paloma no início da noite, abasteci a moto com a gasolina mais cara do universo, já que, não basta a gasolina daquele país ser cara, você precisa se enganar e pedir a super top ultra mega gasolina… Quando me dei conta do equívoco já era tarde.. R$ 5,00 o litro… garanto que dali para frente não mais errei!

Olhei pelo Booking e escolhi um hostel pela localização, a poucos metros de onde estava, que era perto da praia, perto do farol e também pelo nome: Arazá Hostel.  No dia seguinte eu descobriria o lugar para decidir se ficaria ou seguiria em frente.

E quem acompanhou as fotos que fui postando no Instagram, já sabe o que decidi não é? Mas logo contarei aqui.

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Uruguai: Punta Del Diablo-Cabo Polonio

Florianópolis – Urubici (e a vontade de viver no interior)

 

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Pausa no mirante para contemplar o amanhecer na ilha

Saí bem cedo de Florianópolis para evitar o trânsito mais pesado e segui rumo a BR-282, uma estrada belíssima que dá acesso a Serra do Panelão, caminho para Urubici.

Parei para tomar um café e um senhor me recebeu dizendo “obrigado pelo gentileza!” – explicou que eu havia cedido passagem para ele na estrada, há pouco. Tive então companhia e prosa durante o café.

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Chegar a Urubici foi especial. É bom conhecer lugares novos mas também é muito bom voltar aos lugares que te trazem boas lembranças e isso é uma coisa que me encanta em viajar de moto, a facilidade de retornar.

Reencontrei o Glauber e pude ouvir e me inspirar com suas histórias de viagem e da vida.

O feriado de carnaval se aproximava e o Thiago, ficou animado em ir até Urubici me encontrar e passear pelas serras, já a mãe dele, Fátima Santos, a cicloturista que já subiu a Serra do Rio do Rastro pedalando, ficou ainda mais animada em ir de garupa com ele também. Pronto, estava feito o plano da semana. Decidi então ficar por ali, explorando as serras e aguardando os paulistanos.

O clima da serra me encantou. Fazia muito calor durante o dia, então procurávamos sair de manhã ou mais para o fim do dia, quando as temperaturas caíam bem. Vivi dias de interior e descobri um caminho para a paz. A tranquilidade do trânsito, das pessoas, o comércio local, as verduras fresquinhas, o suco natural, as aves, o silêncio, tudo tão simples e perfeito.

O Glauber me mostrou o Morro do Campestre que eu ainda não conhecia, uns 15 km de estrada de chão boa até chegar numa trilha que sobe até o alto do morro, com uma vista belíssima.

 

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Moto clássica faz off road sim!

 

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Trilha de 30 minutos caminhando tranquilamente e contemplando o lugar
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No alto do Morro do Campestre

Foi ele também quem me acompanhou até a Serra do Corvo Branco, onde encarei meu maior desafio com a bonneville,  10 km de cascalho e pedras soltas, um esforço totalmente recompensado pela beleza do lugar. Mesmo já tendo estado ali, me surpreendi com a altura daqueles paredões de pedra e o som que ecoa pelas fendas das rochas. Nenhuma foto ou vídeo é capaz de refletir tamanha imensidão. É ir e ver.

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A felicidade de superar limites. Registro do Glauber Leite daquele momento tão especial para mim.

 

Nos demais dias fui até o Morro da Igreja, com sorte de um tempo extremamente aberto e, claro, até a Serra do Rio do Rastro. As estradas de Urubici até estes dois pontos também são incrivelmente belas, cenários perfeitos para muitas reflexões sobre a vida que me foram surgindo.

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Estrada do Morro da Igreja e a belíssima vegetação da região

 

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Tempo tão aberto a 1.822m de altitude que permite uma selfie com a Pedra Furada ao fundo, é muita, muita sorte. E eu sou uma garota de sorte.

No mirante do Rio do Rastro conversei com um viajante carioca que, segundo ele, não era motociclista, estava motociclista. Retornava de uma viagem de 14.000 km pela América do Sul e me contava com uma serenidade cativante em sua fala. Ao fim me perguntou quando eu voltaria a São Paulo ao que respondi com a maior sinceridade e um sorriso no rosto: eu não sei.

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Mirante da Serra do Rio do Rastro

Ouvir as histórias de viagem das pessoas que encontrava no caminho me fazia querer ir cada vez mais longe, era a energia que eu precisava.  Em algum momento que não sei precisar decidi que iria até o Uruguai. Talvez Argentina. Por que não Atacama? Bem, já estávamos falando em cruzar o deserto, existiam algumas limitações, mas naquele momento elas pouco importavam, eu já estava na estrada e tudo que eu queria era aproveitar a oportunidade ao máximo. Ouvimos que o maior desafio é dar o primeiro passo e é a mais pura verdade.

 

Comprei um caderninho para anotar os lugares imperdíveis e as dicas do Glauber e fui deixando que os pensamentos fluíssem livremente. Sim, eu iria até o Uruguai. Com a liberdade de virar e voltar quando sentisse vontade. Ou avançar um pouco mais, quem sabe. O importante naquele momento eram as possibilidades abertas. Provei a liberdade. E gostei.

Passar o feriado com o Thiago e a mãe dele foi muito gostoso, apesar de corrido para eles que tinham data para voltar a São Paulo. E se eu tinha alguma dúvida em seguir ou não viajando, os dois estavam ali pra dizer: vá! Thiago se prontificou a cuidar dos meus gatos em casa e me incentivou assim como sempre incentiva na vida.

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Gratidão pelas pessoas incríveis em minha vida

Desci a Serra do Rio do Rastro com eles e lá embaixo nos despedimos. O coração apertou sim, mas por vê-los partir e não por querer voltar. Subi aquela serra magnífica e peguei a estrada até Urubici, na manhã seguinte seguiria para o Rio Grande do Sul.

 

Florianópolis – Urubici (e a vontade de viver no interior)

Morretes – Florianópolis

A Estrada da Graciosa é uma estradinha encantadora, de paralelepípedos e repleta de hortênsias, muito floridas em algumas épocas do ano.

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Início da Graciosa, ainda asfalto. 415 km até ali, nem imaginando quantos mais viriam

Dali cheguei a Morretes, cidadezinha tranquila, interiorana, com muito calor. A cidade é cortada pelos trilhos do trem, um tanto curioso para quem é de fora como eu e precisa aguardar a passagem do trem para atravessar.

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Ao lado da minha moto no hostel, uma Ténéré 250, toda equipada e extremamente bem cuidada. Na manhã seguinte conheci o dono da Té, o Júnior, de Ibiúna-SP, conversamos um pouco, ele ofereceu um produto para lubrificar a corrente da minha moto e eu fiquei extremamente agradecida pois havia procurado bisnagas de graxa nos postos do caminho, mas vendiam apenas embalagens muito grandes. Proseamos bastante sobre motos, viagens, ele também seguiria para Florianópolis e então decidimos pegar estrada juntos.

Na noite anterior eu já havia perguntado ao Daniel (o amigo gaúcho) qual caminho ele me sugeria para seguir a Floripa e ele, com toda experiência de cicloturista e motoviajante me passou uma série de opções. Acabei escolhendo seguir pela balsa de Guaratuba, que me parecia uma travessia interessante e um caminho mais simples, já que eu iria guiando mais uma pessoa. Me perder, ok. Me perder levando mais um, preferi evitar.

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Amizade que nasce na estrada e segue pra vida!

 

A estrada foi muito tranquila, chegamos no meio da tarde em Florianópolis, levei o Júnior para conhecer o Mirante da Lagoa da Conceição e nos hospedamos de frente para a lagoa.

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Mirante da Lagoa da Conceição

Neste meio tempo, soube que um amigo e motoviajante querido, o Glauber Leite, tinha se mudado para Urubici. Urubici! Não fosse o bastante estar no ponto de partida para as Serras do Rio do Rastro, do Corvo Branco, Morro da Igreja, ele ainda estava gerenciando uma pousada exclusiva para motociclistas! (leia a colaboração que fiz para a revista Motociclismo sobre a pousada aqui)

Decidi que iria até lá. Combinei com ele minha estadia e pronto. Era pegar a belíssima BR 282 e chegar às serras catarinenses. Já estive na região duas vezes antes, na garupa da XT do Thiago Santos, em nossa primeira viagem longa de moto, e depois pilotando minha primeira moto, uma Intruder 250, na companhia também do Daniel, 4 anos atrás. Mas serra catarinense nunca é demais e cada época do ano guarda seus encantos.

Também decidi ficar um dia a mais em Florianópolis para curtir a ilha, me despedi do Júnior que seguiria viagem no dia seguinte, com a certeza de ter feito mais um amigo na estrada (e na vida).

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Dunas da Joaquina
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Lagoa da Conceição
Morretes – Florianópolis

São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

2017, 16 de fevereiro, quinta-feira a noite.

Aguardava ansiosamente o resultado de um processo seletivo de trabalho, daqueles com 88 etapas que alimentam nossa ansiedade cada vez que contamos toda nossa trajetória profissional para uma nova pessoa. Eu não queria passar a sexta-feira envolta em ansiedade. Decidi que faria um passeio de moto. Estrada da Graciosa, perto de Curitiba, uma cidade na qual já estive algumas vezes mas geralmente com pouco tempo, era a hora de descer a estrada histórica até Morretes, talvez eu seguisse até Paranaguá.

Enquanto arrumava minha pequena bagagem, duas camisetas, um biquini (porque aprendi com uma amiga, a Rosa Freitag, que sempre pode haver uma cachoeira no caminho e você PRECISA aproveitar para se refrescar), mais uma calça (vai que chove e você se molha…),  enquanto separava essas coisinhas para sair cedo no dia seguinte, recebi a devolutiva negativa da empresa. Um pouco de decepção, mas me pareceu também um bom sinal um e-mail já depois da meia-noite, indicando que as pessoas ali abrem mão de muitas coisas para trabalhar, como dormir, ou organizar suas coisas de viagem na madrugada.

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Café da manhã em Peruibe – Dica: sempre que desço para a BR116 sentido Curitiba, passo primeiro pelo litoral paulista via BR101, evitando assim a complicada serra do cafezal

E o plano era esse, descer a Graciosa, dormir em Morretes, talvez Curitiba, talvez Paranaguá. Mas quando se pega a estrada, há coisas que fogem ao nosso controle, como a vontade de ir mais longe, as reflexões sobre a vida, sobre como usamos nosso tempo e fui percebendo que ali, na estrada, em cima da minha moto, com duas camisetas e uma escova de dentes na bagagem, eu tinha um mundo de possibilidades.

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Tudo parece muito perto. E é.

E foi assim que começou a viagem que durou pouco mais de um mês, e me levou de São Paulo até Colonia Del Sacramento no Uruguai, costeando o litoral deste país incrível, tão próximo e tão desconhecido até então para mim.

Durante toda a viagem, meus roteiros e destinos foram sendo definidos um dia por vez, baseados no que pensava na estrada, nas conversas que tinha com quem encontrava no caminho, ou com as pessoas que tive a felicidade de rever logo à frente. Eu não tinha pressa e queria experimentar essa nova forma de viajar, sem um planejamento prévio e respeitando minhas vontades que mudavam o tempo todo diante de tantas possibilidades. Obviamente eu tinha um limite de gastos, mas tinha tempo, e descobri quão valioso nosso tempo pode e deve ser.

 

 

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Portal da Estrada da Graciosa – aqui eu já sentia que queria ir mais longe, por que não então?

Cidades em que fiquei:

São Paulo
Morretes – meu destino inicial, onde conheci o Júnior que foi comigo até Floripa
Florianópolis – 1 dia a mais e com uma hora a mais devido ao fim do horário de verão
Urubici – 8 dias… uma vida é pouco nas serras catarinenses
Canela – porque havia muitas serras no caminho até Nova Petrópolis
Porto Alegre – 2 dias, na companhia do amigo gaúcho Daniel Chagas
Chuí – hora de me preparar para a entrada no Uruguai
La Paloma – decidi ficar 1 dia a mais assim que cheguei, ficaria uma vida também
Piriápolis – 1 dia a mais por causa do vendaval em Montevideo, meu destino seguinte
Montevideo – que capital!
Colonia del Sacramento – 1 dia a mais, no limite da carta verde, pela paz do lugar
Santa Vitória do Palmar – porque não achei a cabana do Chuí onde me hospedei na ida
Pelotas – no melhor hostel em que já me hospedei
Palhoça – fim de um dia que rendeu mais do que eu esperava
Peruibe – casa dos meus pais, refúgio antes de voltar para a selva de pedra
São Paulo – em seu primeiro dia de outono

Foram 6.200 km de descobertas. Aos poucos colocarei minhas lembranças desta linda jornada aqui.

Mais fotos em: https://www.instagram.com/miloliv/ e em breve por aqui também.

 

São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

SP-TERESÓPOLIS – DIA 02: PARQUE NACIONAL DA SERRA DOS ÓRGÃOS

Sexta-feira, dia útil, cidade cheia, um pouco de trânsito e muito calor. Dia de conhecer o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis (são 3 no total).

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Uma paradinha no Mirante a caminho do parque

Há diversas trilhas disponíveis dentro do parque, com variados graus de dificuldade, incluindo travessias de 3 dias ou mais, onde você vai acampando no caminho.. (um dia quero fazer essas), além de piscinas naturais.

Percorremos a trilha suspensa, que está com um trecho interditado para reparos. O bacana dessa trilha é que as passarelas de madeira a tornam acessível para cadeirantes.

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Água tão cristalina…
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…que dá pra ver os óculos do Thiago

 

 

 

 

 

 

 

Depois fomos fazer a Trilha do Cartão Postal, relativamente curta, uns 3 km ida e volta, porém com bastante subida e calor de 30 e todos graus, foi um pouquinho cansativa, mas para amenizar, ela é toda sombreada e tem muitas aves. Fomos presenteados por um bandinho de saíras, pica-paus, arapaçus e várias outras aves que eu não soube identificar…

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Seria um beija-flor rubi? (Clytolaema rubricauda)

E, claro, ao final, o visual valeu muito a pena.

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Aproveitamos o fim da tarde para descansar e como bons paulistas (eu sempre escrevo isso nos relatos, mas é verdade…) pedimos pizza pro jantar.

SP-TERESÓPOLIS – DIA 02: PARQUE NACIONAL DA SERRA DOS ÓRGÃOS

SP-Teresópolis, Serra dos Órgãos – Dia 01

Mil quilômetros. Um pouco a mais por causa dos passeios na região.

Ô lugar lindo essa Serra dos Órgãos! Eu já tinha visto muita foto ali no mirante com o Dedo de Deus ao fundo, mas não tinha noção da imensão e beleza daqueles paredões!

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Abraçando o mundo

Feriado de 4 dias, reservamos um dia para ida, outro para volta, um dia no Parque Nacional e outro em aberto para passeios pela região.

Como sempre, nos programamos para sair cedinho, às 06h, atrasamos 1 hora, bem aceitável pros nossos padrões.

Pegamos a Rodovia Ayrton Senna para evitar o pior trecho da Dutra, aqui perto de São Paulo e foi uma excelente escolha. Na chegada para Dutra, trânsito pesado, mas que felizmente se dissipou em não muitos quilômetros. Estrada cada vez mais livre, pude matar meu preconceito com ela, a Dutra.. da lembrança que eu tinha de uma rodovia lotada de caminhões, para uma rodovia cheia de curvas deliciosas, excelente asfalto e belas paisagens, uma delas estonteante.. duas montanhas, água correndo entre elas, árvores floridas. Gente! Isso é real? Parecia uma pintura! Aquelas fotos fine art que eu não gosto muito porque acho irreais demais.. pois é, descobri que essas paisagens existem, algumas delas na Dutra, a caminho do Rio.

mapa SP-Teresópolis

Tínhamos feito um planejamento de paradas legal, café e abastecimento na Ayrton Senna, segunda parada ainda por lá, outra antes da descida da Serra das Araras, para descansar e nos prepararmos para o retão lá embaixo (onde não há postos de combustível, inclusive) até a entrada de Teresópolis.

Nossa vontade era tirar uma foto no Dedo de Deus por volta das 16h, mas atrasamos. Chegamos no pé da serrinha, já avistando a Serra dos Órgãos faltando 15 minutos pras 6 da tarde, reflexo da enrolação acumulada em cada parada.. encostamos rapidinho, esticamos as pernas e subimos, na expectativa de conseguir avistar algo ainda naquele dia.

A subida da serra ali é um espetáculo a parte, as curvas são deliciosas, eu ainda tenho bastante receio de estradas muito sinuosas descendo.. mas na subida… eu adoro! Numa das curvas já estava quase pendulando, hehe – não estava, mas a sensação era essa.

Seguimos contornando a serra e a cada curva uma paisagem ainda mais espetacular surgia, um paredão, um outro ângulo da serra… era bonito demais! Quando achei que já tinha visto toda a beleza, surgiu uma lua cheia magnífica no meio da serra.. de emocionar. Me lembrou muito a primeira vez que fizemos uma viagem grande de moto, lá pro sul, subindo o Morro da Igreja. Um sentimento de felicidade incrível, reduzido apenas pelo caminhão que surgiu na minha frente e me fez ficar de castigo atrás dele por alguns quilômetros até chegarmos no mirante. Sim, já tinha escurecido, mas a beleza continuava toda lá, presente e iluminada por uma noite clara e dourada.

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Mirante do Soberbo – até aqui tudo já tinha valido a pena!

Seguimos para o hotel. No caminho, parada num farol, senti uma batida na traseira da moto, sim… era um carro… um senhor bateu em mim, parada! Foi de leve e ao descer da moto constatei que nada tinha acontecido. Perguntei se ele não tinha me visto.. O senhor não se importou muito, não pediu desculpas e ainda queria sair logo do lugar. Gastamos uns minutinhos ali explicando para ele que ele ía esperar sairmos sim e não desviar das nossas motos e ir embora, afinal, era o mínimo que ele podia fazer depois de ter batido numa moto parada: esperar sairmos. Subi na moto ainda com receio de ele fazer alguma manobra brusca ao nosso lado, mas quando olhei no retrovisor, uma viatura da Polícia havia surgido, na frente do motorista “cego” (o que nosso amigo Guma chamaria de karma instantâneo). Fiz sinal para ela aguardar e rapidamente decidi que não valia a pena ter mais aborrecimento indo falar com os policiais, então só esperei o Thiago subir na moto, agradeci a viatura e então seguimos, eu já mais tranquila. Claro que nos próximos semáforos fiquei com a sensação de que as pessoas não íam parar atrás de mim.. mas logo passou… rapidamente entendemos também que apesar daquele climinha de cidade pequena e fofa, muitos motoristas seriam sem noção como aquele que acabara de nos receber.

Devidamente “aclimatados”, conseguimos chegar em paz no hotel (Águia de Ouro, reservado pelo Booking, atendimento super acolhedor, local confortável, ótima localização, recomendamos muito) e descansar para nosso segundo dia que previa uma trilha no Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

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SP-Teresópolis, Serra dos Órgãos – Dia 01