Morretes – Florianópolis

A Estrada da Graciosa é uma estradinha encantadora, de paralelepípedos e repleta de hortênsias, muito floridas em algumas épocas do ano.

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Início da Graciosa, ainda asfalto. 415 km até ali, nem imaginando quantos mais viriam

Dali cheguei a Morretes, cidadezinha tranquila, interiorana, com muito calor. A cidade é cortada pelos trilhos do trem, um tanto curioso para quem é de fora como eu e precisa aguardar a passagem do trem para atravessar.

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Ao lado da minha moto no hostel, uma Ténéré 250, toda equipada e extremamente bem cuidada. Na manhã seguinte conheci o dono da Té, o Júnior, de Ibiúna-SP, conversamos um pouco, ele ofereceu um produto para lubrificar a corrente da minha moto e eu fiquei extremamente agradecida pois havia procurado bisnagas de graxa nos postos do caminho, mas vendiam apenas embalagens muito grandes. Proseamos bastante sobre motos, viagens, ele também seguiria para Florianópolis e então decidimos pegar estrada juntos.

Na noite anterior eu já havia perguntado ao Daniel (o amigo gaúcho) qual caminho ele me sugeria para seguir a Floripa e ele, com toda experiência de cicloturista e motoviajante me passou uma série de opções. Acabei escolhendo seguir pela balsa de Guaratuba, que me parecia uma travessia interessante e um caminho mais simples, já que eu iria guiando mais uma pessoa. Me perder, ok. Me perder levando mais um, preferi evitar.

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Amizade que nasce na estrada e segue pra vida!

 

A estrada foi muito tranquila, chegamos no meio da tarde em Florianópolis, levei o Júnior para conhecer o Mirante da Lagoa da Conceição e nos hospedamos de frente para a lagoa.

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Mirante da Lagoa da Conceição

Neste meio tempo, soube que um amigo e motoviajante querido, o Glauber Leite, tinha se mudado para Urubici. Urubici! Não fosse o bastante estar no ponto de partida para as Serras do Rio do Rastro, do Corvo Branco, Morro da Igreja, ele ainda estava gerenciando uma pousada exclusiva para motociclistas! (leia a colaboração que fiz para a revista Motociclismo sobre a pousada aqui)

Decidi que iria até lá. Combinei com ele minha estadia e pronto. Era pegar a belíssima BR 282 e chegar às serras catarinenses. Já estive na região duas vezes antes, na garupa da XT do Thiago Santos, em nossa primeira viagem longa de moto, e depois pilotando minha primeira moto, uma Intruder 250, na companhia também do Daniel, 4 anos atrás. Mas serra catarinense nunca é demais e cada época do ano guarda seus encantos.

Também decidi ficar um dia a mais em Florianópolis para curtir a ilha, me despedi do Júnior que seguiria viagem no dia seguinte, com a certeza de ter feito mais um amigo na estrada (e na vida).

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Dunas da Joaquina
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Lagoa da Conceição
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Morretes – Florianópolis

São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

2017, 16 de fevereiro, quinta-feira a noite.

Aguardava ansiosamente o resultado de um processo seletivo de trabalho, daqueles com 88 etapas que alimentam nossa ansiedade cada vez que contamos toda nossa trajetória profissional para uma nova pessoa. Eu não queria passar a sexta-feira envolta em ansiedade. Decidi que faria um passeio de moto. Estrada da Graciosa, perto de Curitiba, uma cidade na qual já estive algumas vezes mas geralmente com pouco tempo, era a hora de descer a estrada histórica até Morretes, talvez eu seguisse até Paranaguá.

Enquanto arrumava minha pequena bagagem, duas camisetas, um biquini (porque aprendi com uma amiga, a Rosa Freitag, que sempre pode haver uma cachoeira no caminho e você PRECISA aproveitar para se refrescar), mais uma calça (vai que chove e você se molha…),  enquanto separava essas coisinhas para sair cedo no dia seguinte, recebi a devolutiva negativa da empresa. Um pouco de decepção, mas me pareceu também um bom sinal um e-mail já depois da meia-noite, indicando que as pessoas ali abrem mão de muitas coisas para trabalhar, como dormir, ou organizar suas coisas de viagem na madrugada.

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Café da manhã em Peruibe – Dica: sempre que desço para a BR116 sentido Curitiba, passo primeiro pelo litoral paulista via BR101, evitando assim a complicada serra do cafezal

E o plano era esse, descer a Graciosa, dormir em Morretes, talvez Curitiba, talvez Paranaguá. Mas quando se pega a estrada, há coisas que fogem ao nosso controle, como a vontade de ir mais longe, as reflexões sobre a vida, sobre como usamos nosso tempo e fui percebendo que ali, na estrada, em cima da minha moto, com duas camisetas e uma escova de dentes na bagagem, eu tinha um mundo de possibilidades.

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Tudo parece muito perto. E é.

E foi assim que começou a viagem que durou pouco mais de um mês, e me levou de São Paulo até Colonia Del Sacramento no Uruguai, costeando o litoral deste país incrível, tão próximo e tão desconhecido até então para mim.

Durante toda a viagem, meus roteiros e destinos foram sendo definidos um dia por vez, baseados no que pensava na estrada, nas conversas que tinha com quem encontrava no caminho, ou com as pessoas que tive a felicidade de rever logo à frente. Eu não tinha pressa e queria experimentar essa nova forma de viajar, sem um planejamento prévio e respeitando minhas vontades que mudavam o tempo todo diante de tantas possibilidades. Obviamente eu tinha um limite de gastos, mas tinha tempo, e descobri quão valioso nosso tempo pode e deve ser.

 

 

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Portal da Estrada da Graciosa – aqui eu já sentia que queria ir mais longe, por que não então?

Cidades em que fiquei:

São Paulo
Morretes – meu destino inicial, onde conheci o Júnior que foi comigo até Floripa
Florianópolis – 1 dia a mais e com uma hora a mais devido ao fim do horário de verão
Urubici – 8 dias… uma vida é pouco nas serras catarinenses
Canela – porque havia muitas serras no caminho até Nova Petrópolis
Porto Alegre – 2 dias, na companhia do amigo gaúcho Daniel Chagas
Chuí – hora de me preparar para a entrada no Uruguai
La Paloma – decidi ficar 1 dia a mais assim que cheguei, ficaria uma vida também
Piriápolis – 1 dia a mais por causa do vendaval em Montevideo, meu destino seguinte
Montevideo – que capital!
Colonia del Sacramento – 1 dia a mais, no limite da carta verde, pela paz do lugar
Santa Vitória do Palmar – porque não achei a cabana do Chuí onde me hospedei na ida
Pelotas – no melhor hostel em que já me hospedei
Palhoça – fim de um dia que rendeu mais do que eu esperava
Peruibe – casa dos meus pais, refúgio antes de voltar para a selva de pedra
São Paulo – em seu primeiro dia de outono

Foram 6.200 km de descobertas. Aos poucos colocarei minhas lembranças desta linda jornada aqui.

Mais fotos em: https://www.instagram.com/miloliv/ e em breve por aqui também.

 

São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai