Dia 06 – Joinville – Curitiba – Cento e tantos quilômetros..

Perdemos o café, mas não a hospitalidade do hostel. A mocinha fez questão de nos arrumar uns iogurtes, bolo e uma maçã pra mim. Maçã que transportei até São Paulo, dentro da galocha, rs.. é.. dentro da galocha..

Toda minha bagagem numa mochilinha. Eu sou uma garupa legal vai:)
Toda minha bagagem numa mochilinha. Eu sou uma garupa legal vai:)

Arrumamos as coisas na moto, paramos pra abastecer num posto de gasolina cheio de moças de shortinho e decotes. Filosofamos um pouco sobre “postos de gasolina que exploram a imagem feminina para atrair clientes” e o Thiago disse como se sente desconfortável com isto, inclusive.

Calmaria de uma manhã de sexta-feira em Joinville.
Calmaria de uma manhã de sexta-feira em Joinville.

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A ideia era ir pra Estrada da Graciosa, mas acho que pelo cansaço acabei convencendo o Thiago a deixar para outro dia, já que ele passaria uns dias em Curitiba para um campeonato de patinação (é, ele domina as 8 rodas também!) Voltamos pelo caminho que fizemos na ida, relembrando onde paramos, revendo paisagens. Eram poucos quilômetros, mas o psicológico começou a pegar.. era a viagem terminando, um certo cansaço acumulado.. Fizemos uma longa parada na estrada onde eu decidi almoçar, depois de tantos dias comendo lanches.. conheci até o “bolovo” uma coxinha, só que recheada de ovo, um ovo cozido, inteiro, dentro, um ovo cozido empanado, quase isso, rs.. muito bom, por sinal! Coisas de Santa Catarina!

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O famoso Camaro Amarelo?
O famoso Camaro Amarelo?

Fizemos os últimos quilômetros já mais animados, com clima de “missão cumprida”, encaramos um mega congestionamento por causa de umas obras na chegada em Curitiba e o Thiago realizou seu grande sonho de acelerar no ouvido de uma motorista que dirigia e falava ao celular, rs..

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Fomos direto pro hostel, no centro da cidade, o mesmo da ida. Foi descermos da moto, mal tiramos os capacetes e desabou uma tempestade. E aí choveu o dia todo. Ficamos de bobeira por lá, salvamos algumas fotos, fomos comer denovo no shopping em frente e comprei minha passagem de volta pra São Paulo.

Depois de tantos quilômetros, um banho de chuva..
Depois de tantos quilômetros, um banho de chuva..

Pretendia ir a pé os 500 metros até a rodoviária, mas o Thiago queria andar de moto, acho que ele estava com vontade, rs.. fomos de moto então, transformei a bagagem de uma semana numa mochilinha pra carregar nas costas, dei minhas últimas recomendações de cuidados com meu capacete ao Thiago, já que talvez ele emprestaria para alguma carona durante o fim de semana (rs..) e fui embarcar. Um abraço forte e um “ótimo viajar com você” completaram aquele clima horrível de despedida e quando o Thiago me deu tchau lá de fora do ônibus tive vontade de desistir e passar mais uns dias por ali só pra voltar com ele, mas… férias acabando.. de volta a realidade.. encarei sozinha as 6 horas de ônibus até São Paulo. E a terra da garoa me recebeu de braços abertos: uma típica garoa paulistana e os “trens circulando com maiores intervalos” me saudaram: sim, eu estava de volta, sã e salva! De volta à cidade cinza, que tanto amo e tento tornar mais colorida..

Foram 1.865 quilômetros de estrada e de história. E cada um deles valeu muito a pena. Uma viagem que ficará para a vida e sempre depois de toda viagem, a gente nunca volta igual..

Obrigada a todos que acompanharam! E, Thi, a gente tem muita estrada pela frente! Valeu por me levar na sua garupa e tornar tudo ainda mais especial. E… “Vai.. não queria viajar de moto? Santa Catarina? Não queria? kkkkk”

Próximo destino?
Próximo destino?

PS1: a maçã voltou na galocha, intacta.
PS2: o capacete foi devidamente devolvido arranhado. Resultado da viagem dentro do baú da moto, junto com o troféu do campeonato que o Thiago ganhou. Tá desculpado, vai;)

Throfebi, Thiago, Beto e Henrique: paulistas arrasando no Campeonato de Curitiba.
Throfebi, Thiago, Beto e Henrique: paulistas arrasando no Campeonato de Curitiba.
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Dia 06 – Joinville – Curitiba – Cento e tantos quilômetros..

Dia 05 – Bom Jardim da Serra – Joinville (descida da Serra do Rio do Rastro!) – 405 kms

Vídeo da descida da SRR: https://miloliv.wordpress.com/2013/06/01/descendo-a-serra-do-rio-do-rastro/

E depois de uma noite muito, muito fria (9 graus, mas 9 graus de serra..), amanheceu um dia lindo! Sol, céu azul..

Fomos acolhidos num delicioso café da manhã pelo dono da pousada (Santa Vitória, super recomendo!) que nos contou um pouco sobre a região, que hoje vive do plantio de maçã e da pecuária e como desejam ver o turismo movimentando a economia local.

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Pousada Santa Vitória, adesivos de moto clubes e o céu azul

Seguimos novamente os 11 quilômetros até o mirante, agora com visão total da paisagem e paramos pra ver a serra. Ao chegar perto da mureta: nossa! Que vista era aquela? Eu não acreditava.. estavam ali.. as curvas que se desenrolaram diante de nós no dia anterior.. a magnífica Serra do Rio do Rastro.. Daqueles momentos que fazem tudo ter valido a pena, cada quilômetro, a distância de casa e as férias acabando.. valeu a pena pra chegar ali e contemplar tanta beleza!

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Uma turminha de quatis fazendo graça se aproxima também, aves planando naquela imensidão azul.. e não para por aí, afinal, nós vamos descer a serra ainda..

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E descemos! Cada curva mais bela que a outra, muito verde, cheiro de mato, ventinho gelado e toda a habilidade do piloto pra fazer as curvas direitinho, sem perder a paisagem, rs.. Relembro a ele que estou pensando na minha moto e que quero voltar ali pilotando e ele me diz: 50% do prazer é pilotar! Ah.. então tá, se de garupa eu já tava tão feliz, né?

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Fim da serra, hora de começar a pegar o caminho de volta. Seguimos à direita em direção a Tubarão e alguns quilômetros depois o Thiago achou que estávamos no caminho errado. Voltamos e demos de cara com uma estrada de terra. Nos informamos e, apesar de mais perto, seria só terra, decidimos voltar pro caminho anterior mesmo, Thiago deixou cair denovo os óculos na estrada (né? coisas estranhas acontecem em viagens..) e estávamos indo em direção ao litoral, como eu havia sugerido já que queria muito conhecer Laguna entre outras cidades..

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É.. só que ninguém havia pensado no vento que pegaríamos na estrada indo pelo litoral.. gente.. agora eu sei exatamente porque existe aquela placa de trânsito “vento lateral”. Nossa… se eu não gostava do trecho da Ayrton Senna em São Paulo que costuma ter muito vento, o que dizer do vento que pegamos neste trecho.. este longo trecho pelo litoral.. quando cruzamos a ponte em Laguna.. era muito tenso.. a cada ultrapassagem, várias coisinhas passavam pela cabeça, entre elas “por que, Camila, você quis vir pelo litoral? rs..”

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Life style...
Life style…

 
E estávamos lá, lidando com o vento e com os pensamentos, quando olho na caçamba do caminhão à frente, uma ponta de lona, azul, voando. A ponta foi aumentando, aumentando e, sim, aconteceu o que eu (e o Thiago também) imaginava: a lona voou da caçamba.. Aí você imagina né, uma lona enorme voando na estrada de frente pra você, numa moto.. Highway to hell, versão lona azul.. Felizmente ela subiu e quando tocou o chão o Thiago acelerou e passamos por cima dela antes que ela subisse novamente. Sustinho básico mas que terminou bem.

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Nosso plano neste dia era chegar o mais próximo de Curitiba possível para descansar e, no dia seguinte rodar pouco. Decidimos por Joinville. Chegamos de noite, bem cansados por causa do vento e não sabíamos onde dormir até que lembramos: será que tem hostel em Joinville. Sim! Existe hostel em Joinville e estávamos há apenas 3 quilômetros dele. Fomos recebidos com um: nossa! Vocês estão vindo de onde? Parecem cansados! Deixamos as coisas rapidinho por lá e saímos a pé pra comer. Bem pertinho um bar com música ao vivo me chamou atenção e paramos por lá. Banquinho e violão sempre tem tudo pra dar certo, mas não ficamos muito pois o Thiago estava caindo de sono, coitado, e eu pedindo “só mais uma música”, rs..

No dia seguinte perdemos a hora, perdemos o café da manhã e quase perdemos o check-out. Mas tinha valido muito a pena.

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Última vez que arrumávamos os alforges:(

Dia 05 – Bom Jardim da Serra – Joinville (descida da Serra do Rio do Rastro!) – 405 kms