Uruguai – Piriapolis

8 de março, dia internacional da mulher.

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Plaza de las mujeres, ainda em La Paloma

Dia de deixar La Paloma com destino a Piriapolis, passando pela famosa Punta Del Este, parada obrigatória que, para ser sincera, não achei tão encantadora quanto o que havia visto até ali, mas, justiça seja feita, é uma bela cidade.

 

Há dias em que tenho uma paciência gigantesca para esperar o melhor momento para fotografar em locais turísticos como La Mano Del Desierto, ali em Punta, e há dias em que eu realmente não tenho paciência alguma para esperar. Como podem conferir, o dia em Punta se enquadra neste segundo caso. Não sei bem explicar ao certo, mas creio que a medida em que viajamos sós e exploramos lugares mais tranquilos, torna-se um certo choque voltar para os locais mais populosos. Pelo menos eu me sinto assim, como se me forçassem a sair daquele estado de introspecção.

Rodei um pouco por Punta, fiz um retorno na contramão por engano, me perdi bastante até encontrar o caminho para Piriápolis, talvez porque entrei em Punta Del Leste por um trajeto diferente do habitual da maioria dos turistas e a partir daí me confundi com as direções. Felizmente nessa de errar caminhos, acabei passando duas vezes pela famosa ponte tobogã de La Barra que é muito, muito legal!

La Barra

Bastante vento depois, no meio daquela tarde cheguei ao meu destino, Piriápolis e, como tudo na vida é equilíbrio, para compensar o vento da estrada, encontrei uma praia de mar extremamente calmo, sem ondas. Me apressei para entrar naquele mar irresistível, já bem acostumada com as frias águas uruguaias.

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Mais uma tarde belíssima terminava. No caminho de volta ao hostel, passei por uma praça onde havia várias mulheres reunidas, música e animação. Sim, era uma comemoração pelo dia internacional da mulher. Me juntei a elas, ganhei uma faixa lilás (dos souvenirs mais belos que surgem em nosso caminho) que coloquei no cabelo e segui na caminhada com elas. Vários cartazes, uma diversidade de perfis que me chamou bastante atenção, unidas, numa mesma luta.

Refleti sobre a importância daquele dia para mim, uma mulher viajando sozinha de moto em outro país e naquele momento me senti extremamente livre e grata por isso. Também me senti extremamente acolhida, rodeada de sorrisos e olhares de força e de luta, linguagens universais.

À medida em que tomávamos a avenida beira-mar, o pôr-do-sol avançava. É preciso reforçar: um dos mais belos que já vivi. Uma linda e inesperada forma de terminar este dia tão significativo e seguir para descansar com um sentimento de gratidão imenso dentro do peito.

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Uruguai – Piriapolis

La Paloma

Sugestão de música para este relato de viagem, clique aqui para ouvir

Quando amanheceu em La Paloma, decidi caminhar até a praia. Levei um bom tempo neste pequeno trajeto pois havia muitas aves no caminho para observar, eu simplesmente não conseguia deixar de aprecia-las, ninho no poste, aves caminhando na calçada… (já contei sobre meu amor pelas aves não é?)

A praia… Um longo suspiro ao lembrar dela enquanto tento descrevê-la nestas linhas, como se fosse possível descrever La Paloma com palavras, com imagens, que não a experiência de estar ali. Uma praia belíssima, com muitas formações rochosas adentrando o mar e uma areia grossa, fofa, gostosa de pisar e forrada de conchas dos mais variados tipos e formas. Eu, adepta do “tire da natureza apenas fotos e leve apenas suas recordações” confesso que não resisti e comecei a pegar algumas conchas como recordação, enquanto sentia culpa e me perguntava como é que eu ía levar essas conchinhas delicadas na bagagem da moto de volta pro Brasil. Sim, eu dei um jeitinho e, no fim das contas, acho que não fui tão criminosa assim em minha coleta.

Passei aquele dia na praia, caminhando, contemplando e pensando na vida.

La Paloma, assim como Cabo Polonio, também tem seu farol, de onde parece que é possível avistar baleias em algumas épocas do ano e, embora eu não tenha vivido tamanha experiência, subir num farol pela primeira vez foi encantador.

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Em 1872, El Faro del Cabo de Santa Maria, já praticamente pronto, foi destruído por um forte temporal, e 17 pessoas morreram na “tragédia del faro”. Seus corpos foram sepultados próximo ao farol, num local chamado de “El Cementerio del Faro Viejo”. Conta-se que o farol estava sendo construído com água do mar, de difícil fixação dos materiais. Uma história triste sobre as forças da natureza e uma memória importante a ser mantida.

Um vídeo feito lá do alto do farol – clique aqui ;)

Meu dia em La Paloma terminou com um pôr-do-sol estonteante, que contemplei sentada nos rochedos da praia, com meus pés sendo tocados pelo mar. Dá pra imaginar? Até dá né, mas viver isso é indescritível. Se você não conhece este lugar, vá. Todo mundo precisa viver La Paloma. Se nada der certo nesta vida brasileira, eu vou me exilar ali e viver da minha arte, feita do que a natureza uruguaia dá :)

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 Foi sem dúvida o lugar do Uruguai que mais amei. Se você tiver um dia só naquele país, passe-o ali.

Eu voltei pro Brasil, mas um pouco do meu coração ficou lá, ou será que um pouco do lugar veio junto comigo?

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La Paloma

Uruguai: Punta Del Diablo-Cabo Polonio

Quando saí de casa, naquela manhã de fevereiro, eu nem imaginava que uns 15 dias depois estaria no Uruguai. Eu ía só até o Paraná, era apenas um passeio para espairecer, mas parece que eu precisava espairecer mais do que imaginava!

No último post eu falei em 2.500 km rodados até ali não foi? Negativo! Nossa memória nos trai, foram mais de 3.200 km ao chegar a fronteira Brasil-Uruguai, minha primeira fronteira de moto e isso tem um significado imenso.

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3.216 km

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Passada toda a euforia de cruzar a fronteira para outro país pilotando minha motocicleta, parei na Fortaleza de Santa Teresa, um belo forte com um espaço bem estruturado para camping, onde havia muitas barracas. Mas meu destino do dia era outro, o Parque Nacional de Cabo Polônio e eu nem imaginava quão mágico e inesquecível aquele lugar seria para mim.

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Segui pela Ruta 9 e passei por Punta Del Diablo, a primeira praia uruguaia que eu conhecia, linda e distante apenas 45 km do Chuí. Dali, mais 60 km e um pequeno desvio pelas Rutas 16 e 10 e estava na entrada do Parque Nacional de Cabo Polonio. Da entrada do parque até a praia são 7 km permitidos apenas nos veículos do parque, jipes que mais parecem caminhões ou a pé. Quando fiz o trajeto no jipe entendi. Cruzamos areiões imensos até chegar ao vilarejo à beira-mar, onde é possível pernoitar em algum dos diversos hostels.

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A praia é inacreditavelmente bela, daqueles lugares que você não se cansa de olhar e admirar. Passei um bom tempo apenas contemplando a paisagem, entrei no mar, geladinho porém muito bom, sentei na areia e decidi analisar o mapa da praia que havia pego na entrada do parque. E foi aí que me dei conta. O lugar que haviam me dito que poderia ver lobos-marinhos era ali, Cabo Polonio. Fui então aos pontos de avistamento, junto às rochas. Há uma separação por cercas, para segurança dos animais e dos visitantes, com uma plaquinha graciosa escrito “Lobería”, onde é possível avista-los de muito perto e eu os vi! Ali, pertinho de mim, lagarteando ao sol do fim do dia, às vezes se mexiam, se comunicavam uns com os outros. Foi muito emocionante. Eu amo animais e foi uma surpresa maravilhosa passar aquele tempo observando-os, em paz, como sempre deveria ser. Ali lamentei não estar com uma câmera fotográfica, uma lente zoom, fotografei somente no celular, mas o maior registro é sempre o que fica em nossa memória e coração. Eu estive com os lobos no Uruguai! E vou me lembrar para sempre daquele momento mágico.

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Os lobos-marinhos estão aí, é só reparar bem

 

Voltei com o jipe ao estacionamento do parque onde havia deixado a moto, ainda estava claro. Comi algumas empanadas na lanchonete (empanadas, outro amor!), conversei em português com o moço que me atendeu e descobri como os uruguaios nos recebem bem e como amam nosso país, querem falar nosso idioma e contar com orgulho sobre os lugares que conhecem do Brasil.

Decidi seguir até La Paloma, um lugar que a Samara Brochado, grande amiga com quem moro, (e que conheci através do motociclismo, inclusive!), havia recomendado fortemente. No caminho, mais um pôr-do-sol de tirar o fôlego.

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Cheguei a La Paloma no início da noite, abasteci a moto com a gasolina mais cara do universo, já que, não basta a gasolina daquele país ser cara, você precisa se enganar e pedir a super top ultra mega gasolina… Quando me dei conta do equívoco já era tarde.. R$ 5,00 o litro… garanto que dali para frente não mais errei!

Olhei pelo Booking e escolhi um hostel pela localização, a poucos metros de onde estava, que era perto da praia, perto do farol e também pelo nome: Arazá Hostel.  No dia seguinte eu descobriria o lugar para decidir se ficaria ou seguiria em frente.

E quem acompanhou as fotos que fui postando no Instagram, já sabe o que decidi não é? Mas logo contarei aqui.

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Uruguai: Punta Del Diablo-Cabo Polonio