“Lembranças, ninguém nos tira”

A frase que define a história toda: “Lembranças, ninguém nos tira.”

E tem toda razão.

O dia das serras, dividido em três partes, porque foi, sem dúvida, um dia maravilhoso que vivemos juntos.

Possível fosse, viveria tudo outra vez. Sem medo de ser feliz.

Os relatos deste dia https://miloliv.wordpress.com/2013/04/13/dia-04-urubici-bom-jardim-da-serra-e-todas-as-serras-195-kms/

“Lembranças, ninguém nos tira”

Dia 05 – Bom Jardim da Serra – Joinville (descida da Serra do Rio do Rastro!) – 405 kms

Vídeo da descida da SRR: https://miloliv.wordpress.com/2013/06/01/descendo-a-serra-do-rio-do-rastro/

E depois de uma noite muito, muito fria (9 graus, mas 9 graus de serra..), amanheceu um dia lindo! Sol, céu azul..

Fomos acolhidos num delicioso café da manhã pelo dono da pousada (Santa Vitória, super recomendo!) que nos contou um pouco sobre a região, que hoje vive do plantio de maçã e da pecuária e como desejam ver o turismo movimentando a economia local.

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Pousada Santa Vitória, adesivos de moto clubes e o céu azul

Seguimos novamente os 11 quilômetros até o mirante, agora com visão total da paisagem e paramos pra ver a serra. Ao chegar perto da mureta: nossa! Que vista era aquela? Eu não acreditava.. estavam ali.. as curvas que se desenrolaram diante de nós no dia anterior.. a magnífica Serra do Rio do Rastro.. Daqueles momentos que fazem tudo ter valido a pena, cada quilômetro, a distância de casa e as férias acabando.. valeu a pena pra chegar ali e contemplar tanta beleza!

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Uma turminha de quatis fazendo graça se aproxima também, aves planando naquela imensidão azul.. e não para por aí, afinal, nós vamos descer a serra ainda..

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E descemos! Cada curva mais bela que a outra, muito verde, cheiro de mato, ventinho gelado e toda a habilidade do piloto pra fazer as curvas direitinho, sem perder a paisagem, rs.. Relembro a ele que estou pensando na minha moto e que quero voltar ali pilotando e ele me diz: 50% do prazer é pilotar! Ah.. então tá, se de garupa eu já tava tão feliz, né?

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Fim da serra, hora de começar a pegar o caminho de volta. Seguimos à direita em direção a Tubarão e alguns quilômetros depois o Thiago achou que estávamos no caminho errado. Voltamos e demos de cara com uma estrada de terra. Nos informamos e, apesar de mais perto, seria só terra, decidimos voltar pro caminho anterior mesmo, Thiago deixou cair denovo os óculos na estrada (né? coisas estranhas acontecem em viagens..) e estávamos indo em direção ao litoral, como eu havia sugerido já que queria muito conhecer Laguna entre outras cidades..

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É.. só que ninguém havia pensado no vento que pegaríamos na estrada indo pelo litoral.. gente.. agora eu sei exatamente porque existe aquela placa de trânsito “vento lateral”. Nossa… se eu não gostava do trecho da Ayrton Senna em São Paulo que costuma ter muito vento, o que dizer do vento que pegamos neste trecho.. este longo trecho pelo litoral.. quando cruzamos a ponte em Laguna.. era muito tenso.. a cada ultrapassagem, várias coisinhas passavam pela cabeça, entre elas “por que, Camila, você quis vir pelo litoral? rs..”

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Life style...
Life style…

 
E estávamos lá, lidando com o vento e com os pensamentos, quando olho na caçamba do caminhão à frente, uma ponta de lona, azul, voando. A ponta foi aumentando, aumentando e, sim, aconteceu o que eu (e o Thiago também) imaginava: a lona voou da caçamba.. Aí você imagina né, uma lona enorme voando na estrada de frente pra você, numa moto.. Highway to hell, versão lona azul.. Felizmente ela subiu e quando tocou o chão o Thiago acelerou e passamos por cima dela antes que ela subisse novamente. Sustinho básico mas que terminou bem.

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Nosso plano neste dia era chegar o mais próximo de Curitiba possível para descansar e, no dia seguinte rodar pouco. Decidimos por Joinville. Chegamos de noite, bem cansados por causa do vento e não sabíamos onde dormir até que lembramos: será que tem hostel em Joinville. Sim! Existe hostel em Joinville e estávamos há apenas 3 quilômetros dele. Fomos recebidos com um: nossa! Vocês estão vindo de onde? Parecem cansados! Deixamos as coisas rapidinho por lá e saímos a pé pra comer. Bem pertinho um bar com música ao vivo me chamou atenção e paramos por lá. Banquinho e violão sempre tem tudo pra dar certo, mas não ficamos muito pois o Thiago estava caindo de sono, coitado, e eu pedindo “só mais uma música”, rs..

No dia seguinte perdemos a hora, perdemos o café da manhã e quase perdemos o check-out. Mas tinha valido muito a pena.

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Última vez que arrumávamos os alforges:(

Dia 05 – Bom Jardim da Serra – Joinville (descida da Serra do Rio do Rastro!) – 405 kms

Dia 04 – Urubici – Bom Jardim da Serra (e todas as serras!!!) – 195 kms

Dia das serras, nublado, e a informação de que o melhor horário seria das 10h às 14h, mas nós não tínhamos toda essa disponibilidade de tempo então seguimos novamente pro Morro da Igreja, onde fica o Cindacta II da Aeronáutica e de onde tivemos que voltar no dia anterior por causa da neblina.Image 

 

 

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35 kms de Urubici até o morro, sempre subindo, cada vez mais perto das nuvens. No caminho: “olha, olha, para, para”. Um bando de uns 10 pica-paus e a louca das aves desce da moto e sai correndo, rs.. uns minutinhos de observação e a felicidade de ter conseguido umas fotinhos dos bichos.

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Estava muito frio, mas nada comparado ao dia anterior em que não conseguíamos nem tirar os capacetes. (neste dia conseguimos tirar por uns 5 minutos) 

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Visual incrível, contemplação, hora de descer e pegar a estrada rumo à Serra do Corvo Branco. 

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À essa altura, a neblina já estava cada vez mais presente, um pequeno trecho de estrada de terra, uma curva, e lá estava ela, a fenda na rocha, o lugar tão aguardado por mim, como na foto da lú, de 2006, que me fez querer conhecer aquele lugar. Tinha muita neblina mas convenci o Thiago de que, se aguardássemos alguns minutinhos ali logo a neblina iria se dissipar e poderíamos tirar umas fotos da fenda, até porque, pra seguir em frente estava complicado. E realmente, depois de alguns minutos as rochas e a vegetação foram surgindo  eu finalmente me dei por satisfeita: sim, eu estou aqui!!!

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Seguimos em frente, achando que a estrada continuaria reta mas logo uma curva à direita, outra surreal à esquerda e aí entendemos: era a Serra do Corvo Branco. Curvas “cotovelo”, extremamente íngreme, parte pedra, parte asfalto, ó céus, vamos descer da moto e ir empurrando? Descidinha incrível, paredões de pedra gigantes, só estando ali pra sentir. Descemos uns 1.000m de altitude em uns 20 minutos, entre 10/15 km/h. 

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E olha só, mais um caminhão de madeira, momento “Highway to hell” hehe.

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E o dia estava só começando.. faltava a tão sonhada Serra do Rio do Rastro, e estava chegando a hora. Da Serra do Corvo Branco em diante pegamos uma estrada de terra que parecia não ter mais fim, o dia foi ficando mais quente, o terreno nos obrigava a ir devagar e os quilômetros, que eram 30, pareciam 300 e começaram a se arrastar. Comecei a senti um sono de leve, de repente ouço uma voz bem de longe: “Cá? Cá?” Sim, eu tinha cochilado.. pescado, e o Thiago percebeu pelo “toc” do meu capacete batendo no dele. Segundo ele foram uns 10 segundos, ele já reduzindo pra parar. Fiquei assustada, decidimos ficar conversando, mas o fato é que nem tínhamos assunto (né? por isso não estávamos conversando antes..), a estrada estava nos tirando as forças. Felizmente logo chegamos em Grão-Pará e fizemos uma parada num posto para tentar recuperar as forças e o ânimo.

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Minutos depois, seguimos, agora pelo asfalto e já avistando as placas da Serra do Rio do Rastro. Aí o ânimo voltou de vez! O tempo não estava muito aberto mas a vista e a estrada são simplesmente maravilhosos, as curvas serpenteando a mata, tem que ir para crer.

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Paramos várias vezes nos mirantes para apreciar a paisagem pois sim, a Serra do Rio do Rastro existe, e é linda! Lá no alto já não conseguimos ver muito além pois já estávamos próximos do fim da tarde e a neblina (sempre ela..) começava a tomar conta. 

 

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Acabamos decidindo dormir por ali, em Bom Jardim da Serra, para voltar no dia seguinte. 

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Encontramos uma pousada, jogamos as coisas e decidimos procurar um lugar pra comer algo quente, porque faz muito frio lá no alto. A dona da pousada nos perguntou se íamos ver a serra a noite. Pausa. Olhamos um para o outro: sim, vamos! Na verdade nós nem tínhamos pensado nisso, mas quando ela deu a idéia, pareceu tão irresistível que nem precisamos pensar ou perguntar um ao outro. Colocamos todas as roupas (todas!) e fomos comer, uma pizza incrível que eu devorei em minutos, deixando o Thiago impressionado com a minha agilidade, rs.. Passava das 10h da noite quando rodamos os 11 kms até o mirante da serra, batendo os dentes, mas valeu muito pena.

Mesmo com a neblina, conseguimos ver um pouquinho da estrada iluminada lá embaixo. Voltamos felizes, embora congelados, mas sabendo que a descida nos aguardava no dia seguinte.

 

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E mais imagens, em 3 vídeos deste dia aqui

Dia 04 – Urubici – Bom Jardim da Serra (e todas as serras!!!) – 195 kms