Rua, finalmente!

“Sim, é uma moça na moto” – a mãe responde pra menininha na calçada.

Saída do estacionamento, logo atrás do Thiago, (de bike anjo, a moto anjo). A concentração do momento não permitiu um aceno e o capacete escondeu o sorriso, mas eu não posso decepcionar a menininha.

Voltinha no quarteirão pra sentir a moto, sentir as luvas, e lá vamos nós para os primeiros faróis. Trânsito.. bom pra eu relaxar mais, mas até que estava tranquila. Chegamos na Augusta. Thiago inventa de parar no posto pra encher o pneu da moto dele. Ele faz de propósito eu acho, não podia ir com esse pneu murcho mesmo? rs.. me fazer parar no posto? Mas beleza.

– “Já colocou no neutro?”
– Já.
– “Então por que essa mão na embreagem?”

Saída do posto.

– Thi, como é que eu vou fazer essa curva pra sair no tempo do farol? (subida, carros cruzando..)
– “Eu vou segurar o trânsito pra você e você vai.”
– Thi, você não entendeu, eu preciso de MUITO ESPAÇO pra fazer a curva, vamos esperar o outro farol.

Só ouvi um “ai” quando eu fiz a curva aberta demais e o táxi que iria virar esperou e deu uma piscadinha de farol.

– Estou tranquila, tá tudo bem – Tranquilizo pelo rádio. (um luxo sair de moto com rádio né gente?) Na verdade ele não ficou nervoso, ele nunca fica, ele é muito sangue frio, aprendo com ele.

Rua Augusta tranquila, começo a ficar mais solta. Percebo que as pessoas não tentam te matar na moto. Dou seta, o motorista não me dá a preferência, mas beleza, eu espero e entro depois dele. Lembro do Adonai falando que o primeiro farol a gente nunca esquece..

Esqueço de tirar o pé do freio pra sair e a moto morre, claro. Momento de manter a calma, mas sinto o calor nas bochechas. Thiago com a voz mais tranquila do mundo: “Liga, vai, mas com vontade!”. Farol denovo. “Já pôs no neutro? Por que tá segurando a embreagem?” Tá! Eu aprendo!

Descida da Haddock Lobo, medinho! Descubro o freio motor que o Thiago tanto me falava. Desço tranquila em segunda marcha sem precisar acionar os freios, que maravilha! Fico no farol e o Thiago passa. Combinamos pelo rádio entrar na Estados Unidos.

– Thi, acelera, pode acelerar. – Pedindo pra ele se distanciar mais de mim pra eu não ter que reduzir, olha a folga..

Virar na Rebouças, caminho que faço de bike voltando do Ibira. Um carro na faixa da esquerda para (é, para, no meio da rua..) e quer entrar à direita. Descubro a buzina! Vou narrando pro meu moto anjo o ocorrido, pra ele não se assustar ao ouvir a minha buzinada né. – “Bike feelings já é?” Curvinha pra entrar na Henrique Schaumann e já dar seta pra esquerda (dou seta e buzino..) “Olha a minha trajetória e segue” – Poucos carros, sussa.

Fico no farol da Francisco Leitão. Converso com ele que tira sarro “Abriu o faroooool””, como faz o nosso colega motovlogger Carlos Gonzalez. Não tem como não rir. Nas valetinhas cruzando a Teodoro ele me orienta rapidamente: “primeira, acelera, coloca segunda, segura, acelera denovo” (ou algo assim) – Ih Thi, relaxa, eu vou passar em primeira mesmo… (depois ele me explica em detalhes como fazer)

Última curvinha pra pegar a Cardeal. A motorista “fofa” quer cortar duas motos e entrar direto na segunda faixa. Sem crise, a gente espera a manobra da louca e vai. Estacionar a moto, colocar no cavalete, uhuuuu, cheguei! Sensação de vitória e muita alegria!

E assim, numa noite linda e quente de inverno, muito bem acompanhada, eu andei de moto na rua pela primeira vez.

A menininha ficaria orgulhosa!

Só pra registrar o momento:)
Só pra registar o momento:)
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Rua, finalmente!