São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

2017, 16 de fevereiro, quinta-feira a noite.

Aguardava ansiosamente o resultado de um processo seletivo de trabalho, daqueles com 88 etapas que alimentam nossa ansiedade cada vez que contamos toda nossa trajetória profissional para uma nova pessoa. Eu não queria passar a sexta-feira envolta em ansiedade. Decidi que faria um passeio de moto. Estrada da Graciosa, perto de Curitiba, uma cidade na qual já estive algumas vezes mas geralmente com pouco tempo, era a hora de descer a estrada histórica até Morretes, talvez eu seguisse até Paranaguá.

Enquanto arrumava minha pequena bagagem, duas camisetas, um biquini (porque aprendi com uma amiga, a Rosa Freitag, que sempre pode haver uma cachoeira no caminho e você PRECISA aproveitar para se refrescar), mais uma calça (vai que chove e você se molha…),  enquanto separava essas coisinhas para sair cedo no dia seguinte, recebi a devolutiva negativa da empresa. Um pouco de decepção, mas me pareceu também um bom sinal um e-mail já depois da meia-noite, indicando que as pessoas ali abrem mão de muitas coisas para trabalhar, como dormir, ou organizar suas coisas de viagem na madrugada.

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Café da manhã em Peruibe – Dica: sempre que desço para a BR116 sentido Curitiba, passo primeiro pelo litoral paulista via BR101, evitando assim a complicada serra do cafezal

E o plano era esse, descer a Graciosa, dormir em Morretes, talvez Curitiba, talvez Paranaguá. Mas quando se pega a estrada, há coisas que fogem ao nosso controle, como a vontade de ir mais longe, as reflexões sobre a vida, sobre como usamos nosso tempo e fui percebendo que ali, na estrada, em cima da minha moto, com duas camisetas e uma escova de dentes na bagagem, eu tinha um mundo de possibilidades.

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Tudo parece muito perto. E é.

E foi assim que começou a viagem que durou pouco mais de um mês, e me levou de São Paulo até Colonia Del Sacramento no Uruguai, costeando o litoral deste país incrível, tão próximo e tão desconhecido até então para mim.

Durante toda a viagem, meus roteiros e destinos foram sendo definidos um dia por vez, baseados no que pensava na estrada, nas conversas que tinha com quem encontrava no caminho, ou com as pessoas que tive a felicidade de rever logo à frente. Eu não tinha pressa e queria experimentar essa nova forma de viajar, sem um planejamento prévio e respeitando minhas vontades que mudavam o tempo todo diante de tantas possibilidades. Obviamente eu tinha um limite de gastos, mas tinha tempo, e descobri quão valioso nosso tempo pode e deve ser.

 

 

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Portal da Estrada da Graciosa – aqui eu já sentia que queria ir mais longe, por que não então?

Cidades em que fiquei:

São Paulo
Morretes – meu destino inicial, onde conheci o Júnior que foi comigo até Floripa
Florianópolis – 1 dia a mais e com uma hora a mais devido ao fim do horário de verão
Urubici – 8 dias… uma vida é pouco nas serras catarinenses
Canela – porque havia muitas serras no caminho até Nova Petrópolis
Porto Alegre – 2 dias, na companhia do amigo gaúcho Daniel Chagas
Chuí – hora de me preparar para a entrada no Uruguai
La Paloma – decidi ficar 1 dia a mais assim que cheguei, ficaria uma vida também
Piriápolis – 1 dia a mais por causa do vendaval em Montevideo, meu destino seguinte
Montevideo – que capital!
Colonia del Sacramento – 1 dia a mais, no limite da carta verde, pela paz do lugar
Santa Vitória do Palmar – porque não achei a cabana do Chuí onde me hospedei na ida
Pelotas – no melhor hostel em que já me hospedei
Palhoça – fim de um dia que rendeu mais do que eu esperava
Peruibe – casa dos meus pais, refúgio antes de voltar para a selva de pedra
São Paulo – em seu primeiro dia de outono

Foram 6.200 km de descobertas. Aos poucos colocarei minhas lembranças desta linda jornada aqui.

Mais fotos em: https://www.instagram.com/miloliv/ e em breve por aqui também.

 

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São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

9 comentários sobre “São Paulo – Morretes ou: como eu fui parar no Uruguai

  1. Ivo disse:

    Camila,

    Parabéns pela iniciativa é coragem. Sair para uma aventura dessas, somente com duas camisetas, uma calça, um biquíni e escova de dentes, não é para qualquer um. Minha mochila de uso diário leva mais que isso: macacão para chuva, algumas ferramentas, reparador instantâneo de pneu (morro de medo de um furo), marmita e, como não poderia deixar de ser, escova de dentes.

    Adorei o relato, e quero mais!!!!

    Parabéns, de novo, e tenha certeza que logo, logo, você se recolocará profissionalmente​. É só aguardar e não se preocupar. E aproveitar a vida, assim como você fez na viagem.

    Abs,

    1. Camila Oliveira disse:

      Ivo, obrigada pelo carinho. Eu sou meio mal acostumada a não me preocupar com alguns itens por estar sempre acompanhada, mas numa viagem solo a gente vai percebendo a importância de algumas coisas e aprendendo, mas a simplicidade ainda me encanta muito ;)

  2. Eder Bomcompagni disse:

    Muito legal!!! Boa narrativa e, principalmente, boa perseverança e ótimo ponto de vista ao transformar uma notícia ruim em uma ótima alforria!

  3. Antonio Gomes disse:

    Eu adoro estes passeios sem grandes preparativos e planejamentos. Também nem penso que um pneu pode furar… Aliás, eles duram???… ;)
    Parabéns pela aventura. Tenho certeza que você curtiu cada km e cada curva, pois estava na melhor companhia: seus pensamentos…
    Em dezembro passei pelo Taim, indo até o Chuí. Ficaria ali uns três dias admirando aquela imensidão de calmaria…
    Abs
    Antonio

    1. Camila Oliveira disse:

      Os pneus duram né, e muito! Claro que levar um produto para vedação rápida de furo não faz mal a ninguém, mas também não podemos deixar de ir só porque saímos de casa sem.
      O Taim é sensacional mas é triste ver tantos animais mortos, atropelados. Passei ali com muita calma e muito atenta.

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