De SP a Chapada dos Veadeiros-GO – Dia 02, Uberlândia-Brasília 420 km

10407759_10200679858395589_5609059696154108679_n
Bom dia Uberlândia!

“Dizia ele: estou indo pra Brasília, neste país lugar melhor não há.”

Brasília me lembra Legião Urbana, Paralamas do Sucesso.. passei boa parte da viagem cantarolando “Faroeste Cabloco” e “300 picaretas”, não tive como evitar.

Saímos não tão cedo neste segundo dia, depois de tomar nosso café de mercado no quarto. Tempo bom, sem previsão de chuva e estrada continuava boa e vazia. Diversos trechos apenas com o Thiago a minha frente e ninguém atrás.. Pensei em como eu adoro pilotar e como me frustra estar presa em São Paulo com vontade de pegar uma estrada vazia mas encontro aquele monte de carros, carros, carros… Sorri e me senti grata por aqueles momentos de paz.

Com a tranquilidade começou a vir uma certa tensão: cadê posto de combustível? Num determinado momento vi um posto de atendimento ao usuário da MGO-Rodovias e decidi parar, próximo posto estava a 15 km e depois só em Cristalina, a 70 km dalí, mas se precisássemos eles nos ajudariam a arrumar combustível. Foi bom saber, mas dava pra rodar bastante ainda. Aproveitamos pra descansar um pouco, pra comentar dos gaviões que vez ou outra passavam por nós, da ave que quase colidiu em mim de frente (eu até desviei um pouco a cabeça, foi um sustinho).

Abastecemos um pouco ali perto e depois completamos o tanque em Cristalina onde a frentista disse que logo estaríamos em Brasília, mas alertou que à frente a estrada estava em obras, para tomarmos cuidado, batemos um papinho ali.

É sempre muito gostosa essa interação que a moto permite, sempre vem alguém conversar conosco, quando notam a placa de SP rola ainda uma admiração, talvez essas pessoas nem saibam mas um aviso como esse da moça do posto, um sorriso, faz toda a diferença.

E ela tinha razão. Dali pra frente vários trechos em obras, alguns desvios na pista, daqueles de parar, desligar a moto e esperar.

Já que tem que esperar, aproveitamos pra descansar
Descansando atrás do carro vermelho do motorista apressadinho, vai ter que esperar, baby

11066798_10204383684171789_7977982754103803668_n

Tirando os trechos em obras a estrada continuava boa até faltarem uns 50 km para Brasília quando tudo mudou. Foi começando trânsito carregado, buracos enormes, lombadas eletrônicas de 40 km/h e muitos pedestres atravessando a pista. Notei que não havia nenhuma passarela, que os acostamentos eram de terra, mato.. um pedaço esquecido, pessoas esquecidas arriscando a vida para cruzar de um lado para o outro da via. Trecho bem tenso que parecia eterno.. Cruzamos a divisa dos estados sem ânimo algum para registros, estava escurecendo e, como eu disse antes, pilotar a noite me deixa tensa.

Enfim chegamos em Brasília, e suas vias de trânsito rápido e motoristas insanos.. não, eu não vou generalizar, nunca se pode, mas no tempo que circulei por Brasília tive que ligar o modo de pilotagem “agressivo-defensivo”: colar na traseira do Thiago, o que significa não manter aquela distância de segurança porque ela só está servindo pros motoristas acharem que tem espaço pra entrar no meio da sua moto.. e o tempo todo com os pés “em cima” do freio, não consegui descansar os pés na pedaleira em nenhum momento… além da buzina.. se eu não tinha precisado usar a buzina até então nos mil quilômetros que rodamos, ali não conseguia andar sem usa-la…

Basicamente, quando você chega no Eixão (e, vejam, eu vinha da rodovia) está todo mundo correndo, como numa fuga sabe-se lá do quê, e para parar num posto, que era o que eu sonhava em fazer pra ver onde iríamos dormir (e respirar um pouco) você tem que fazer um retorno e, só pra constar, nos entroncamentos desses retornos, as pessoas entram como loucas, elas não olham se vem alguém, elas jogam o carro pro lado e pronto (entrando na segunda faixa como quem entra na direita livre).  Via totalmente planejada para priorizar velocidade ou seja, um grande erro.

Não tem semáforo, não tem faixa de pedestre, só carro, carro e carro.

Mais tarde no hotel li sobre o planejamento viário de Brasília e o texto falava das ruas residenciais que são sem saída pois assim evita fluxo grande de veículos e velocidade.. tá.. mas de nada adianta se até chegar lá você é quase morto a cada quilômetro.. passamos por 1 ciclista (um!) e eu fiquei imaginando como deve ser horrível ser ciclista ali. Aí pensei em São Paulo, nas marginais Tietê e Pinheiros e, bem, não é muito diferente, exceto que em SP os motoristas aprenderam a respeitar os motociclistas e dá até pra andar no corredor numa boa, em Brasília eu não ousava mudar de faixa.. e, Brasília foi pla-ne-ja-da não foi? Pois é.. não para pessoas.

Por fim fizemos um retorno e paramos num posto, brigamos um pouco com o 3G do celular e escolhemos um hotel pelo Booking que fosse o mais próximo de onde estávamos, eu não queria pilotar nenhum quilômetro desnecessário ali. Até descobrirmos onde estávamos levou um tempo (era perto do Lago Norte), reservamos e seguimos. Nunca um lugar foi tão difícil de se localizar..

Quando nada der certo, lembre-se dos caminhos lindos que percorreu até ali...
Quando nada der certo, lembre-se dos caminhos lindos que percorreu até ali…

Oi, meu nome é Camila e eu derrubo a moto na porta do hotel

Claro que demos uma erradinha no caminho e demos de cara com o fim da rua. Thiago fez o retorno e apontou que era ali atrás (era um flat, a entrada parecia residencial mas o endereço batia).

Fui mais à frente para ter mais espaço para fazer o retorno mas não adiantou.. sabe-se lá por quais forças da insegurança do universo eu, no meio da curva, fui querer colocar o pé no chão, aí meu amigo.. a moto ficou pesada e eu “tive que deita-la”.. Deixei a moto cair, praticamente parada.. e tinha um espaço enorme pra fazer a curva ainda..

Bom, passada aquela raiva inicial, fiquei esperando o Thiago perceber que eu estava demorando muito, até que ele voltou pra trás e viu a moto caída e perguntou o que tinha acontecido. Burrice, baby, burrice.  Erguemos a moto (junto com os caquinhos da minha dignidade). Felizmente o maravilhoso protetor de motor impediu que acontecesse qualquer dano a moto, nem a poeira tirou! E eu só ando de luva então a mão que apoiei no chão nada sofreu também.

Bom, apesar de mil quilômetros longe de casa, pelo menos eu escolho uma capital pra derrubar a moto né gente? Se precisasse de peças seria mais fácil.. mas falando sério, não façam isso em casa (e nem na rua!) E instalem protetor de motor, um vacilo desse poderia ter sido um belo prejuízo.

Era noite, estávamos com fome, cansados e eu tinha derrubado a moto. Eu não queria mais sair do hotel pra nada naquele dia. Decidimos pedir uma pizza e, como bons paulistanos que somos, poderíamos comer pizza fria de café da manhã. Ficamos mais um tempão tentando entender onde estávamos hospedados e se as pizzarias online entregariam lá. Por fim escolhemos uma, a pizza estava ótima, mas era muito pequena e não sobrou :(

Troquei algumas mensagens hilárias com dois amigos que moram em Brasília sobre as siglas que nem eles sabem o que significam (beijo Larissa e Roberto), peguei algumas dicas de passeios para o dia seguinte e terminei o dia assistindo X-Men.

No fim, deu tudo certo.

Anúncios

2 comentários em “De SP a Chapada dos Veadeiros-GO – Dia 02, Uberlândia-Brasília 420 km

Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: