Luta a favor da vida em São Paulo

Minha paixão por duas rodas começa com a bicicleta.

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Em 2009 decidi trocar o carro pela bicicleta. Na época fazia um trajeto de 6km de casa ao trabalho levando mais de uma hora de carro, com muito estresse. De bicicleta, passei a levar meia hora, aproveitando o caminho.

A bicicleta mudou completamente a minha vida. Conheci pessoas, lugares, passei a ser dona do meu tempo e a conviver melhor com a minha cidade, mesmo enxergando ainda mais seus problemas.

A bicicleta amplia os horizontes e as possibilidades, é meu principal meio de transporte.

O trânsito da cidade em que vivo mata 3 pessoas a cada dia. Em 2013 foram 1.152 mortes no ir e vir da cidade. Nenhum número diferente de zero é aceitável.

Eu não precisei de ciclovia para começar, mas eu luto por elas para que cada vez mais pessoas se sintam seguras e experimentem a cidade num veículo mais humano e tão transformador para todos. E, claro, eu também descobri a alegria que é subir a Rua Vergueiro em paz, sem ter que me preocupar tanto com algum possível motorista imprudente que possa me colocar em risco.

Como ser contra cenas como esta? (foto do amigo Daniel Haase, a caminho do trabalho)
Como ser contra cenas como esta? (foto do amigo Daniel Haase, a caminho do trabalho)

Para quem é contra ciclovias, sugiro experimentar. Sua percepção da cidade será outra.

Hoje é a última sexta-feira do mês, data em que o movimento Critical Mass toma as ruas de diversas cidades do mundo a favor de cidades mais humanas através do uso da bicicleta. Aqui no Brasil o movimento é chamado de Massa Crítica ou Bicicletada.

Hoje iremos celebrar as ruas com nossas bicicletas e lutar para que as obras das ciclovias de nossa cidade sejam retomadas já que o Ministério Público conseguiu barra-las mostrando total descaso com a segurança dos ciclistas e citando argumentos um tanto desconexos da realidade que vivemos.

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Recebemos o apoio do movimento em várias cidades do mundo.

O Plano Diretor Estratégico de São Paulo prevê a implantação de 400 km de ciclovias e não vamos aceitar menos que isso. Está é uma luta de décadas.

São 400 km de vias seguras para bicicleta x 17 mil km de ruas historicamente projetadas para veículos motorizados e que, muitas vezes não contemplam nem o transporte coletivo. Exemplo disto é a Ponte Estaiada que desrespeita a lei municipal 14.266, que determina em seu artigo 11 que “as novas vias públicas, incluindo pontes, viadutos e túneis, devem prever espaços destinados ao acesso e circulação de bicicletas, em conformidade com os estudos de viabilidade”.

Por algum motivo, o Ministério Público deixou passar essa pequena obra, como tantas outras que privilegiam carros, ministério este que ainda utiliza como argumento na ação contra as ciclovias que ‘Ainda hoje, o veículo [automóvel] é o modal de transporte que transporta o maior número de pessoas neste Município’, o que revela total desconhecimento da realidade pois, segundo a pesquisa Origem e Destino do Metrô de 2007, a maior parcela da população de São Paulo desloca-se a pé ou por meio do transporte público, dados reforçados ainda pela Pesquisa de Mobilidade Urbana do Metrô de 2012.

Portanto, por mais que a promotora Camila Mansour esteja dando entrevistas dizendo que o Ministério Público é a favor de ciclovias, o documento assinado por ela diz o contrário, questionando sua necessidade e ignorando a importância de proteger vidas.

Aqui estão algumas matérias sobre o assunto para que o debate possa ser embasado por fatos e a Petição Pública a favor das ciclovias já assinada por mais de 22 mil pessoas. (foram 80 reclamação contra ciclovias, promotora?)

Hoje estaremos na Praça do Ciclista (Paulista x Consolação) para lutar por uma cidade mais humana.

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Não haverá retrocesso, nem um passo para trás, nem um quilômetro sequer.

#CicloviaSIM

Petição Pública em favor das ciclovias – assine!

O acerto e o erro da ação do MPE que paralisou as obras das ciclovias de São Paulo

Ciclistas atropelam promotora que interrompeu ciclovias

Cicloativistas vão a Corregedoria do MPE contra promotora

Obras cicloviárias de baixa complexidade devem ser tão simples quanto a bicicleta

Nota em resposta à ação do MPE contra as ciclovias em São Paulo

Mortes no trânsito em 2013 na cidade de SP – dados CET

Pesquisa Origem Destino Metrô 2007

Pesquisa de Mobilidade Urbana Metrô 2012

“Mas a população não foi consultada” – como não gente?

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