São Paulo – Rio Grande do Sul – 2.671 kms, 9 dias

Pedacinho do sul desbravado..
Pedacinho do sul desbravado..

Olhando agora fotos, vídeos, mapas.. caracas! Rodei mesmo tudo isso?

É, foi um desafio e tanto. Enfiei a motoca em cada estrada que olha…  mas valeu muito a pena!

Fomos de São Paulo até Curitiba debaixo de toda a chuva do universo (obrigada Riffel por fazer jaquetas impermeáveis de verdade, a Nômade por manter meus pés sequinhos dentro da bota e a boa e velha calça da Passo Bom por manter as pernas secas mesmo depois de vivenciar o dilúvio na estrada).

Intruder 250, XT 600 e Ténéré 250, ainda secas e limpinhas, na divisa PR-SC
Intruder 250, XT 600 e Ténéré 250, ainda secas e limpinhas, na divisa PR-SC

Deixamos o Guga, nosso amigo e excelente companhia de estrada em Floripa. Dali fomos até Urubici-SC no melhor estilo Enduro (aquele joguinho do Atari, onde você mal enxerga a pista – é, tenso..) e encontramos o Daniel Chagas, o amigo virtual de anos, cujas mensagens agora leio com sotaque gaúcho! Seguimos os três  para o Morro da Igreja (é preciso pegar autorização, gratuita, no Ibama em Urubici), depois Serra do Rio do Rastro, Praia Grande até finalmente Cambará do Sul e seus cânions Fortaleza e Itaimbezinho, além das inúmeras cachoeiras por todo o caminho. Uns 100 kms de estrada de chão, com cascalho, com pedras pontiagudas, com neblina, teve de tudo. Teve o dia em que fomos de moto até a padaria pois pretendíamos sair pra passear depois na cidade vizinha, Gramado (e seu natal luz) mas o papo tava tão bom que ficamos por ali os três falando de moto, de destinos, até o cansaço bater e a gente voltar os 500 metros de brita pra dentro do camping denovo.

Neblina, Serra do faxinal, a caminho dos cânions
Neblina, Serra do faxinal, a caminho dos cânions
Intruder 125 do Daniel, estilosérrima
Intruder 125 do Daniel, estilosérrima – Morro da Igreja
Contação de histórias
Contação de histórias nos cânions

Comemos muito xis, aprendemos que o melhor remédio pro calor é molhar a camiseta de dry fit, dar uma torcidinha de leve e vestir. Depois de uns dias rodando junto com o Daniel pelas bandas que ele conhece muito bem, de tanta indiada que já viveu por ali de bike e de moto, nos despedimos em Nova Petrópolis (e seus 38 graus), onde a estrada bifurca, era o começo da nossa volta.

Estradinha em Jaquirana, voltando da cachoeira dos Venâncios
Estradinha em Jaquirana, voltando da cachoeira dos Venâncios

Dividimos a volta em mais 2 dias, pernoitando em Caxias do Sul naquela noite, depois em Lages e por fim em Curitiba, onde minha moto decidiu fazer birra e apagar de vez a bateria, possível protesto pelo fim da viagem. O último dia, apesar das cargas na bateria a cada parada (e dos mais de 400 kms que nos aguardavam) foi tranquilo. Passagem pelo litoral de São Paulo e todo aquele montão de gente que desce a serra pra passar a virada do ano na praia. Subida da serra por aquela pista (maldita!) da Imigrantes cheia de ranhuras onde minha moto dança de um lado pro outro.. e no fim da noite estávamos em casa, onde a bateria acabou, a da moto, não a minha.

Tempo fechado e friozinho (na barriga!) na descida da Serra do Rio do Rastro
Tempo fechado e friozinho (na barriga!) na descida da Serra do Rio do Rastro

Foram 9 dias de estrada, de paisagens lindas, histórias e planos. Não dá pra ficar longe da estrada e, por mais que a gente faça uns passeios de fim de semana, é muito bom fugir de tudo e sumir estrada afora por dias, deixando os pensamentos fluirem em paz em cima da moto.

Chegando aos cânions
Chegando aos cânions

Encontrar outros motoqueiros pela estrada também é uma alegria, as buzinadinhas e acenos que demonstram como é bom compartilhar dessa paixão. Teve até um moço de Lages que veio simpático cumprimentar dizendo que comentou com a esposa, na garupa, que quando passou por nós achou que era uma mulher “piloteando” a moto. É, não somos muitas ainda, mas estamos aí :)

Foi uma experiência e tanto pra mim, como piloto, pra aprender cada vez mais e também para conhecer bem a minha moto. Sei agora tudo o que me faz ama-la e o que poderia ser melhor.

Recompensas do caminho
Recompensas do caminho

Para 2014, quero muitas viagens:)E quero uma moto trail pois ontem andei de XT 225 na terra, no cascalho e, bah! Brincadeira de criança! Me vejo daqui uns meses, num domingo de sol, sentada num bar tomando uma Tubaina, moto na porta, com barro até os joelhos e rindo…

A mini-custom não decepcionou, mas uma trail ía bem nessas horas..
A mini-custom não decepcionou, mas uma trail ía bem nessas horas..

Aqui tem uns vídeos da viagem, registros nossos que comprovam a mim mesma que foi tudo verdade, que era tudo lindo mas que tinha cascalho pra caramba, e a gente foi lá, venceu, e como recompensa ganhou paisagens, experiência e lembranças incríveis pra vida:)

PS 1: Valeu Guga, Daniel, não tenho palavras pra descrever a felicidade que é tê-los no meu retrovisor, ou à minha frente, compartilhando essa alegria e as “pedrinhas” do caminho. Grande beijo!

PS 2: Thi, obrigada por me incentivar a melhorar sempre, meu motoqueiro exigente! Pode elogiar de vez em quando que também não faz mal tá!

 

Atualizando, relato desta viagem na Revista Motociclismo Maio/2014

https://miloliv.wordpress.com/2014/05/10/relato-de-viagem-na-revista-motociclismo/

 

 

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