Habilitação de moto #comofaz

A triste burocracia para adicionar a categoria A e me habilitar para moto. Triste porque você faz todo o processo sabendo que as 15 aulas práticas que te aguardam não vão ensinar o que você precisa saber pra sair pilotando uma moto pelas ruas.

Fiz o cadastro das minhas impressões digitais no Detran, paguei a moto-escola, fiz o exame médico (uma piada..) e saiu a liberação para as aulas, com atrasos pois a clínica preencheu minha planilha médica errado e a moto-escola não havia conferido.. Enfim.. Vamos às aulas!

Em São Paulo as aulas são feitas no Parque do Ibirapuera, numa pista totalmente improvisada, algo inacreditável.. pegaram parte de um estacionamento, fizeram uma pintura tosca no chão e pronto! É dali que saem os futuros motociclistas dessa cidade.. isso explica muito do que se vê nas ruas, mas ninguém lembra disso né? É mais fácil dizer que moto é perigoso e que motoqueiro é tudo doido.. Investir em capacitação de verdade? Que nada! Muito acidente? Aumenta o valor do DPVAT pra moto e tá tudo certo! Lamentável…

Bom, eu procurei pesquisar sobre as aulas e pedir dicas pra quem já passou por isso. O Thiago me explicou os comandos da moto na teoria, já avisou que eu andaria somente em primeira marcha e pra não ter muita expectativa pois o objetivo das aulas seria ensinar simplesmente a passar no exame.

Primeira aula, conheci meu instrutor, dei sorte, um cara paciente e atencioso, mas que realmente só iria me ensinar o necessário para passar no exame. Primeiras lições: treinar andar e parar. Para quem nunca tinha pilotado uma moto, fui bem. Fiz 3 aulas (2 horas) neste dia treinando andar e parar. No dia seguinte, foi a vez de treinar um pouco de curvas: treinar curvas neste caso = fazer algumas curvas para os dois lados para o instrutor avaliar se eu já estava apta a entrar no circuito com as marcações no solo. Acredito que o equilíbrio vem muito da bicicleta mas senti muita dificuldade em fazer as curvas pro lado esquerdo, e ainda estranhava muito o peso da moto. Ah! Neste dia peguei uma moto sem partida elétrica. Bom pra aprender a ter medo de deixar a moto morrer, por preguiça de liga-la no pedal, rs.. mas era importante aprender!

No circuito, curva em 8, labirinto, cones, 3 paradas obrigatórias e uma linha reta, que chamam de “prancha”. A partir daí, foi treinar a cada aula o circuito. Divindo a pista com mais alunos, pegando fila pra começar (às vezes com 15 motos esperando pra entrar no circuito..)

Cones, fila na parada obrigatória (a pintura de "PARE" é um espetáculo à parte..) e a "prancha" pra você seguir reto

Confesso que eu ía pras aulas sem muita animação. Sim, era legal andar de moto, mas só aquilo e feito daquela forma…

A dica que dou pra quem vai começar as aulas é: aprenda a parar! E treine bastante, pois o responsável pela sua segurança nas aulas é você mesmo, apenas..
Tem muita gente circulando, de moto, a pé, às vezes os instrutores sem noção vão guardar a moto e passam acelerando perto de você.. é manter a calma e saber como parar em caso de necessidade.

Repare: sempre tem alguém "vagando" de moto fora do circuito
Repare: sempre tem alguém “vagando” de moto fora do circuito

No primeiro dia, assim que cheguei, uma moça estava na aula quando esbarrou de leve na traseira de um táxi (parado onde não deveria, claro!), se desequilibrou, com o susto ao invés de frear, ela acelerou e foi parar no meio das motos estacionadas. Estava devagar, foi só um susto, mas tenha em mente: segurança! Fique atento em volta, tem aluno que é apressadinho, fuja deles.. dê a sua vez na fila, mas mantenha distância de gente sem noção… repare se tem alguém saindo com a moto pelos cantos da pista.. é muito comum o pessoal entrar no meio do circuito sem nem olhar se vem alguém. E procure se concentrar. Foco no que está fazendo, como está fazendo, zelando pela segurança, a sua e a dos demais e tendo sempre em mente o objetivo: passar no exame.

Depois disso, é realmente aprender, não na rua, na avenida, no meio dos carros… porque infelizmente, é essa a dura realidade da habilitação.. seja adestrado a fazer alguns movimentos e pronto! O Detran vai te considerar apto a ir pra rua em cima de uma moto.. caberá a você ter o bom senso e saber quando vai estar realmente pronto. Não deveria ser assim.. mas é.

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Habilitação de moto #comofaz

Uma moto pra chamar de minha!

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Não bastava encontrar uma moto que estivesse boa, bonita.. tinha que ser uma raridade… quilometragem baixa, única dona! E tinha que ser há 170 kms de casa, um belo motivo pra viajar de moto, depois de 2 meses da viagem do sul!

Incríveis 12.318 kms no odômetro...
Incríveis 12.318 kms no odômetro…

E também não bastava chegar lá e confirmar que a moto está realmente linda e impecável e fechar negócio. Tinha que encontrar também uma família de motociclistas (pai, mãe, filhos, noras..) que nos acolheu pro almoço, depois café, histórias… um dia super agradável em Itapetininga!

Dona Olga, toda estilosa em sua moto!
Dona Olga, toda estilosa em sua moto!

Saindo de lá, em cima da XT, finalmente dei aquele grito de felicidade!

Seguimos pela Castelo Branco, primeira viagem por ela por sinal, condições muito boas mas sem muita paisagem pra ver. E bastante frio, pra relembrar o sul..

Uma semana depois, trâmites dos documentos resolvidos, hora de buscar a moto (ansiedade? imagina..)

Ida de ônibus, quase 3 horas, e sempre relembrando: se estivéssemos de moto..

Reencontramos o Sr. Catarino e a Dona Olga, batemos um papinho e chegou a hora da Intruder receber sua primeira garupa! Paradinha no posto pra abastecer incríveis 4 litros de gasolina e pro Thiago atacar com seu inseparável WD no retrovisor, para ajustar direitinho e em mais algumas pecinhas, além de lubrificar a corrente.

Thiago de mini-custom:)
Thiago de mini-custom:)

E seguimos pra casa! A minha mini-custom é muito confortável, mas é uma posição bem diferente, estranhei um pouco mas foi uma viagem bem gostosa.

Paramos uma vez só, mais para comer do que pra descansar. Além de quase rolar de rir com o Thiago tirando sarro da minha bolsa pois prometi que caberia tudo que combinamos levar, mas ele acabou levando umas coisinhas a mais, me fazendo colocar todo meu talento de arrumação de bagagem em pequenos espaços em prática.

Dividindo espaço com uma grandona:)
Dividindo espaço com uma grandona:)
"Coloca aí na sua Timbuk, cê não falou que cabia"?
“Coloca aí na sua Timbuk, cê não falou que cabia?”

Chegando em Sampa, passadinha na USP pra eu andar um pouquinho com a moto né, quer dizer, tentar.. não sem antes me assustar com as rotatórias da USP, estranhei muito a sensação da moto mais inclinada, por ser mais baixa e tal, tanto que depois de uma curva pra esquerda, na seguinte, à direita, eu travei no banco e no mesmo segundo me lembrei que garupa não pode travar o corpo assim, e o Thiago? Bom, ele só ria. Deve ser mesmo bem engraçado a pessoa travar na curva de uma rotatória depois de ter passado pela Serra do Corvo Branco, Rio do Rastro…

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Bom, da voltinha de moto, posso dizer que ainda tenho muito a aprender (hehe) mas deu pra sentir um pouquinho a moto e perceber que a paixão está apenas começando. O Thiago me fez filmar meu percurso e estou sinceramente torcendo para que o arquivo desse vídeo esteja corrompido e que seja impossível coloca-lo no ar (isso não se faz né? rs..)

Depois encontramos uns amigos pra comer e mostrar a moto. Nada mais divertido que comparar duas intruders:) Todo mundo me dando parabéns mas o fato é que eu ainda não sinto que a moto é minha, acho que só vou sentir quando eu finalmente for capaz de andar com ela sozinha e fizer isso.

Muitos sucos de laranja depois… já perto do estacionamento, a bateria decidiu nos abandonar, por sorte eram poucos quarteirões, um tranquinho e a moto seguiu até o portão, quando morreu de vez. Normal, pra uma moto que rodou tão pouco, exigimos muito da bateria, ela merece uma nova.

Suzuki Intruder 250, ano 2001: De Itapetininga para o mundo!
Suzuki Intruder 250, ano 2001: De Itapetininga para o mundo!

Agora a moto segue pra revisão na Guapira (ainda não falei dessa oficina né?) e em breve estaremos rodando juntas por aí. Minha meta é poder fazer uma viagem com ela até o fim do ano, que sejam os poucos quilômetros de São Paulo até a praia. Quem sabe chegar de moto na casa dos meus pais, em Peruibe (para desespero da minha mãe hehe). Todo mundo me diz que bem antes disso pego o jeito, espero que estejam certos, mas tudo no seu tempo. E aí vai ser planejar as férias.. a viagem pra Argentina, Ushuaia…

Uma moto pra chamar de minha!

Primeira vez de moto (Só que não!)

E hoje, pela primeira vez, subi em cima de uma moto! Não como garupa (já devo ter rodado uns 5 mil km assim!) e também não sei pilotar ainda, afinal, o processo junto ao Detran é burocrático e continua em andamento..  mas fui ver a moto de um amigo, o Adonai, já que ele tem uma do mesmo modelo da que pretendo comprar, uma Suzuki Intruder 250.

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Foto roubada da Intruder do Adonai, quando ele ainda lavava:)

 

A ideia era conhecer a moto, ouvir o motor, sentir se é realmente o que espero, já que estou na fase das pesquisas para compra da minha.

– Como sobe? Segurar o freio? Pé ou mão? Acelerar? De leve? (Adonai cuidadoso, rs..) tá. 

Estar em cima da moto.. Sensação incrível! Muitas coisas passaram pela minha cabeça naqueles minutinhos..

– Tirar do cavalete, soltar, você segura o freio, pra sentir o peso ok? Ok!

E senti. O peso da moto e da responsabilidade, e ainda, o tamanho do desafio que vai ser aprender a pilotar e me sentir segura o bastante para pegar estrada, que é o meu desejo. Mas também senti quantas possibilidades cabem em cima de uma moto, quantas estradas, quantos “passeios da madrugada” me aguardam. É muita expectativa, calma, respira, um passo de cada vez que o processo ainda vai ser longo..

Thiago (sempre ele..) explicou algumas coisas sobre a mecânica (além da aula de carburadores – teoria e prática! – da manhã), sobre o que olhar na moto quando for comprar e etc e etc.

Horário em cima, fui embora pedalando, com um mega sorriso bobo na cara. Uma tempestade ameaçava cair, vento contra, mas quem se importa?

 

Aos preocupados de plantão: arranquem os cabelos! Não tem mais volta!

Apaixonada por duas rodas. Nas horas vagas, motorizada!

 

 

 

Primeira vez de moto (Só que não!)

Banho, finalmente!

E finalmente um tratamento digno para a XT 600 do Thiago! Depois de rodar 2.500 kms pelo sul do Brasil, uma lavagem completa no Bar do Santa.

Pra quem gosta de motos, vale a pena conferir o lugar! O serviço é caprichado e você acompanha toda a lavagem da sua moto confortavelmente acomodado em uma das mesas do bar, degustando petiscos deliciosos (mas sem beber porque, lembre-se, você vai sair dali pilotando!) 

Aliás, você entra com moto e tudo no bar! Divertido!

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A trail intrusa no meio das customs:)

Banho, finalmente!

E a viagem chega ao fim..

Foram 1.865 quilômetros na garupa desse piloto incrível e companhia sem igual. Mais de 2.000 quilômetros pra ele, tudo registrado, pra gente acreditar que realmente vivemos tudo isso!

O último vídeo, com nossos papinhos no meio do trânsito caótico de Curitiba, Thiago com seu jeitinho de pegar corredor mas com todo cuidado pra não me assustar, rs.. e depois, um pouco da volta dele pra casa, aquela que eu devia ter acompanhado também, mas fazer o que né, o tempo era curto, a ansiedade de fazer várias coisas ao mesmo tempo numa única semana de férias.. Enfim, viagem fantástica, espero voltar em breve para estas serras, pilotando, mas bem acompanhada novamente!

Thiago já foi intimado a escrever um relato da viagem pro blog, vamos aguardar os próximos capítulos..

 

E a viagem chega ao fim..