Dia 06 – Joinville – Curitiba – Cento e tantos quilômetros..

Perdemos o café, mas não a hospitalidade do hostel. A mocinha fez questão de nos arrumar uns iogurtes, bolo e uma maçã pra mim. Maçã que transportei até São Paulo, dentro da galocha, rs.. é.. dentro da galocha..

Toda minha bagagem numa mochilinha. Eu sou uma garupa legal vai:)
Toda minha bagagem numa mochilinha. Eu sou uma garupa legal vai:)

Arrumamos as coisas na moto, paramos pra abastecer num posto de gasolina cheio de moças de shortinho e decotes. Filosofamos um pouco sobre “postos de gasolina que exploram a imagem feminina para atrair clientes” e o Thiago disse como se sente desconfortável com isto, inclusive.

Calmaria de uma manhã de sexta-feira em Joinville.
Calmaria de uma manhã de sexta-feira em Joinville.

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A ideia era ir pra Estrada da Graciosa, mas acho que pelo cansaço acabei convencendo o Thiago a deixar para outro dia, já que ele passaria uns dias em Curitiba para um campeonato de patinação (é, ele domina as 8 rodas também!) Voltamos pelo caminho que fizemos na ida, relembrando onde paramos, revendo paisagens. Eram poucos quilômetros, mas o psicológico começou a pegar.. era a viagem terminando, um certo cansaço acumulado.. Fizemos uma longa parada na estrada onde eu decidi almoçar, depois de tantos dias comendo lanches.. conheci até o “bolovo” uma coxinha, só que recheada de ovo, um ovo cozido, inteiro, dentro, um ovo cozido empanado, quase isso, rs.. muito bom, por sinal! Coisas de Santa Catarina!

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O famoso Camaro Amarelo?
O famoso Camaro Amarelo?

Fizemos os últimos quilômetros já mais animados, com clima de “missão cumprida”, encaramos um mega congestionamento por causa de umas obras na chegada em Curitiba e o Thiago realizou seu grande sonho de acelerar no ouvido de uma motorista que dirigia e falava ao celular, rs..

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Fomos direto pro hostel, no centro da cidade, o mesmo da ida. Foi descermos da moto, mal tiramos os capacetes e desabou uma tempestade. E aí choveu o dia todo. Ficamos de bobeira por lá, salvamos algumas fotos, fomos comer denovo no shopping em frente e comprei minha passagem de volta pra São Paulo.

Depois de tantos quilômetros, um banho de chuva..
Depois de tantos quilômetros, um banho de chuva..

Pretendia ir a pé os 500 metros até a rodoviária, mas o Thiago queria andar de moto, acho que ele estava com vontade, rs.. fomos de moto então, transformei a bagagem de uma semana numa mochilinha pra carregar nas costas, dei minhas últimas recomendações de cuidados com meu capacete ao Thiago, já que talvez ele emprestaria para alguma carona durante o fim de semana (rs..) e fui embarcar. Um abraço forte e um “ótimo viajar com você” completaram aquele clima horrível de despedida e quando o Thiago me deu tchau lá de fora do ônibus tive vontade de desistir e passar mais uns dias por ali só pra voltar com ele, mas… férias acabando.. de volta a realidade.. encarei sozinha as 6 horas de ônibus até São Paulo. E a terra da garoa me recebeu de braços abertos: uma típica garoa paulistana e os “trens circulando com maiores intervalos” me saudaram: sim, eu estava de volta, sã e salva! De volta à cidade cinza, que tanto amo e tento tornar mais colorida..

Foram 1.865 quilômetros de estrada e de história. E cada um deles valeu muito a pena. Uma viagem que ficará para a vida e sempre depois de toda viagem, a gente nunca volta igual..

Obrigada a todos que acompanharam! E, Thi, a gente tem muita estrada pela frente! Valeu por me levar na sua garupa e tornar tudo ainda mais especial. E… “Vai.. não queria viajar de moto? Santa Catarina? Não queria? kkkkk”

Próximo destino?
Próximo destino?

PS1: a maçã voltou na galocha, intacta.
PS2: o capacete foi devidamente devolvido arranhado. Resultado da viagem dentro do baú da moto, junto com o troféu do campeonato que o Thiago ganhou. Tá desculpado, vai;)

Throfebi, Thiago, Beto e Henrique: paulistas arrasando no Campeonato de Curitiba.
Throfebi, Thiago, Beto e Henrique: paulistas arrasando no Campeonato de Curitiba.
Dia 06 – Joinville – Curitiba – Cento e tantos quilômetros..

Dia 05 – Bom Jardim da Serra – Joinville (descida da Serra do Rio do Rastro!) – 405 kms

Vídeo da descida da SRR: https://miloliv.wordpress.com/2013/06/01/descendo-a-serra-do-rio-do-rastro/

E depois de uma noite muito, muito fria (9 graus, mas 9 graus de serra..), amanheceu um dia lindo! Sol, céu azul..

Fomos acolhidos num delicioso café da manhã pelo dono da pousada (Santa Vitória, super recomendo!) que nos contou um pouco sobre a região, que hoje vive do plantio de maçã e da pecuária e como desejam ver o turismo movimentando a economia local.

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Pousada Santa Vitória, adesivos de moto clubes e o céu azul

Seguimos novamente os 11 quilômetros até o mirante, agora com visão total da paisagem e paramos pra ver a serra. Ao chegar perto da mureta: nossa! Que vista era aquela? Eu não acreditava.. estavam ali.. as curvas que se desenrolaram diante de nós no dia anterior.. a magnífica Serra do Rio do Rastro.. Daqueles momentos que fazem tudo ter valido a pena, cada quilômetro, a distância de casa e as férias acabando.. valeu a pena pra chegar ali e contemplar tanta beleza!

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Uma turminha de quatis fazendo graça se aproxima também, aves planando naquela imensidão azul.. e não para por aí, afinal, nós vamos descer a serra ainda..

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E descemos! Cada curva mais bela que a outra, muito verde, cheiro de mato, ventinho gelado e toda a habilidade do piloto pra fazer as curvas direitinho, sem perder a paisagem, rs.. Relembro a ele que estou pensando na minha moto e que quero voltar ali pilotando e ele me diz: 50% do prazer é pilotar! Ah.. então tá, se de garupa eu já tava tão feliz, né?

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Fim da serra, hora de começar a pegar o caminho de volta. Seguimos à direita em direção a Tubarão e alguns quilômetros depois o Thiago achou que estávamos no caminho errado. Voltamos e demos de cara com uma estrada de terra. Nos informamos e, apesar de mais perto, seria só terra, decidimos voltar pro caminho anterior mesmo, Thiago deixou cair denovo os óculos na estrada (né? coisas estranhas acontecem em viagens..) e estávamos indo em direção ao litoral, como eu havia sugerido já que queria muito conhecer Laguna entre outras cidades..

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É.. só que ninguém havia pensado no vento que pegaríamos na estrada indo pelo litoral.. gente.. agora eu sei exatamente porque existe aquela placa de trânsito “vento lateral”. Nossa… se eu não gostava do trecho da Ayrton Senna em São Paulo que costuma ter muito vento, o que dizer do vento que pegamos neste trecho.. este longo trecho pelo litoral.. quando cruzamos a ponte em Laguna.. era muito tenso.. a cada ultrapassagem, várias coisinhas passavam pela cabeça, entre elas “por que, Camila, você quis vir pelo litoral? rs..”

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Life style...
Life style…

 
E estávamos lá, lidando com o vento e com os pensamentos, quando olho na caçamba do caminhão à frente, uma ponta de lona, azul, voando. A ponta foi aumentando, aumentando e, sim, aconteceu o que eu (e o Thiago também) imaginava: a lona voou da caçamba.. Aí você imagina né, uma lona enorme voando na estrada de frente pra você, numa moto.. Highway to hell, versão lona azul.. Felizmente ela subiu e quando tocou o chão o Thiago acelerou e passamos por cima dela antes que ela subisse novamente. Sustinho básico mas que terminou bem.

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Nosso plano neste dia era chegar o mais próximo de Curitiba possível para descansar e, no dia seguinte rodar pouco. Decidimos por Joinville. Chegamos de noite, bem cansados por causa do vento e não sabíamos onde dormir até que lembramos: será que tem hostel em Joinville. Sim! Existe hostel em Joinville e estávamos há apenas 3 quilômetros dele. Fomos recebidos com um: nossa! Vocês estão vindo de onde? Parecem cansados! Deixamos as coisas rapidinho por lá e saímos a pé pra comer. Bem pertinho um bar com música ao vivo me chamou atenção e paramos por lá. Banquinho e violão sempre tem tudo pra dar certo, mas não ficamos muito pois o Thiago estava caindo de sono, coitado, e eu pedindo “só mais uma música”, rs..

No dia seguinte perdemos a hora, perdemos o café da manhã e quase perdemos o check-out. Mas tinha valido muito a pena.

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Última vez que arrumávamos os alforges:(

Dia 05 – Bom Jardim da Serra – Joinville (descida da Serra do Rio do Rastro!) – 405 kms

Diálogos de motocicleta

Enquanto relembro os detalhes pra continuar os relatos da viagem, um pouco dos nossos “diálogos de motocicleta”, às vezes via rádio-comunicador (só quando estávamos beeem devagar, senão o barulho do vento não permitia..) mas em sua maioria berrando mesmo, de viseira aberta, rs.. ou nas paradas, enfim, a gente fala bastante, rs.

 

– “Oi, tá me ouvindo?” – ao ligar os comunicadores, sempre seguido de um “oi” com minha vozinha de criança e um sorrisinho feliz.

– “Vai.. não queria viajar de moto?” – hit da viagem, para o bem ou para o mal. Será usado ad eternum..

“A estrada é só nossa mesmo?” – Thiago na BR-116, depois de Itariri, quando sim, a estrada era inacreditavelmente só nossa!

“Quer parar?” – Thiago sempre preocupado comigo, um fofo.

“Você é muito apressadinha” – Thiago bravo (não muito fofo) porque eu guardava as coisas antes de ele terminar de usar. Ou porque eu sempre fico pronta antes dele.

“Você acha mesmo que eu não sou capaz de fazer isso?” – Meu mal humor matinal ao tentar tirar a viseira pra limpar e o Thiago tentar me ajudar, tomando da minha mão.

“Você não acha mesmo que eu acho que você é incapaz né?” – Thiago, horas depois do episódio da viseira.

“Qual a senha do wifi?” – Os dois.. em todas as paradas.

“Highway to hell!” – a cada caminhão de madeira.. eu já contei essa história né?

“Boooorn to be wiiiiild!” – berrando na orelha do Thiago a qualquer momento, trollagem já que sempre que se fala em moto alguém vem com essa música..

“Eu vi que você deu 140 ali viu” – seguido de um “eu sei que você viu”…

“Thi, para de fazer isso” seguido de “não sou eu não, é o vento” – a moto dançando um pouco com o vento lateral, teeensooo… rs..

“Shiu! Contempla!” – meu jeitinho meigo no Morro da Igreja, brisando na paisagem, e o Thiago falando sem parar, ansioso pra ir logo pra Serra do Rio do Rastro.

– “Cadê a chave do alforge?” – Eu, com a chave no bolso, sempre..

– “Tá feliz? Viu? Não queria..” – um pro outro cada vez que passávamos por aqueles lugares lindos…

 “Amanhã, a gente sai cedinho…” – profecia jamais concretizada. Jamais.

 “Foi incrível né?” – lembrando de toda essa aventura, já com saudades..

 

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Diálogos de motocicleta

Dia 04 – Urubici – Bom Jardim da Serra (e todas as serras!!!) – 195 kms

Dia das serras, nublado, e a informação de que o melhor horário seria das 10h às 14h, mas nós não tínhamos toda essa disponibilidade de tempo então seguimos novamente pro Morro da Igreja, onde fica o Cindacta II da Aeronáutica e de onde tivemos que voltar no dia anterior por causa da neblina.Image 

 

 

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35 kms de Urubici até o morro, sempre subindo, cada vez mais perto das nuvens. No caminho: “olha, olha, para, para”. Um bando de uns 10 pica-paus e a louca das aves desce da moto e sai correndo, rs.. uns minutinhos de observação e a felicidade de ter conseguido umas fotinhos dos bichos.

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Estava muito frio, mas nada comparado ao dia anterior em que não conseguíamos nem tirar os capacetes. (neste dia conseguimos tirar por uns 5 minutos) 

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Visual incrível, contemplação, hora de descer e pegar a estrada rumo à Serra do Corvo Branco. 

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À essa altura, a neblina já estava cada vez mais presente, um pequeno trecho de estrada de terra, uma curva, e lá estava ela, a fenda na rocha, o lugar tão aguardado por mim, como na foto da lú, de 2006, que me fez querer conhecer aquele lugar. Tinha muita neblina mas convenci o Thiago de que, se aguardássemos alguns minutinhos ali logo a neblina iria se dissipar e poderíamos tirar umas fotos da fenda, até porque, pra seguir em frente estava complicado. E realmente, depois de alguns minutos as rochas e a vegetação foram surgindo  eu finalmente me dei por satisfeita: sim, eu estou aqui!!!

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Seguimos em frente, achando que a estrada continuaria reta mas logo uma curva à direita, outra surreal à esquerda e aí entendemos: era a Serra do Corvo Branco. Curvas “cotovelo”, extremamente íngreme, parte pedra, parte asfalto, ó céus, vamos descer da moto e ir empurrando? Descidinha incrível, paredões de pedra gigantes, só estando ali pra sentir. Descemos uns 1.000m de altitude em uns 20 minutos, entre 10/15 km/h. 

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E olha só, mais um caminhão de madeira, momento “Highway to hell” hehe.

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E o dia estava só começando.. faltava a tão sonhada Serra do Rio do Rastro, e estava chegando a hora. Da Serra do Corvo Branco em diante pegamos uma estrada de terra que parecia não ter mais fim, o dia foi ficando mais quente, o terreno nos obrigava a ir devagar e os quilômetros, que eram 30, pareciam 300 e começaram a se arrastar. Comecei a senti um sono de leve, de repente ouço uma voz bem de longe: “Cá? Cá?” Sim, eu tinha cochilado.. pescado, e o Thiago percebeu pelo “toc” do meu capacete batendo no dele. Segundo ele foram uns 10 segundos, ele já reduzindo pra parar. Fiquei assustada, decidimos ficar conversando, mas o fato é que nem tínhamos assunto (né? por isso não estávamos conversando antes..), a estrada estava nos tirando as forças. Felizmente logo chegamos em Grão-Pará e fizemos uma parada num posto para tentar recuperar as forças e o ânimo.

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Minutos depois, seguimos, agora pelo asfalto e já avistando as placas da Serra do Rio do Rastro. Aí o ânimo voltou de vez! O tempo não estava muito aberto mas a vista e a estrada são simplesmente maravilhosos, as curvas serpenteando a mata, tem que ir para crer.

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Paramos várias vezes nos mirantes para apreciar a paisagem pois sim, a Serra do Rio do Rastro existe, e é linda! Lá no alto já não conseguimos ver muito além pois já estávamos próximos do fim da tarde e a neblina (sempre ela..) começava a tomar conta. 

 

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Acabamos decidindo dormir por ali, em Bom Jardim da Serra, para voltar no dia seguinte. 

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Encontramos uma pousada, jogamos as coisas e decidimos procurar um lugar pra comer algo quente, porque faz muito frio lá no alto. A dona da pousada nos perguntou se íamos ver a serra a noite. Pausa. Olhamos um para o outro: sim, vamos! Na verdade nós nem tínhamos pensado nisso, mas quando ela deu a idéia, pareceu tão irresistível que nem precisamos pensar ou perguntar um ao outro. Colocamos todas as roupas (todas!) e fomos comer, uma pizza incrível que eu devorei em minutos, deixando o Thiago impressionado com a minha agilidade, rs.. Passava das 10h da noite quando rodamos os 11 kms até o mirante da serra, batendo os dentes, mas valeu muito pena.

Mesmo com a neblina, conseguimos ver um pouquinho da estrada iluminada lá embaixo. Voltamos felizes, embora congelados, mas sabendo que a descida nos aguardava no dia seguinte.

 

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E mais imagens, em 3 vídeos deste dia aqui

Dia 04 – Urubici – Bom Jardim da Serra (e todas as serras!!!) – 195 kms

Dia 03 – Florianópolis-Urubici – 250 kms

Floripa!

Amanheceu um dia lindo na ilha, saímos a pé pra tirar umas fotos e tomar café, mas não achamos nada pela Lagoa (o pessoal lá não toma café, rs..) então decidimos já sair com a moto, prontos pra pegar a estrada, e parar em algum lugar pois já pretendíamos dar uma voltinha na ilha antes.

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Subimos a serrinha que passa pela praia Mole onde há um mirante com vista para Lagoa da Conceição.

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A vista é estonteante.. tomamos café por lá, um chocolate quente daqueles de queimar a língua (eu adoro!) e pão de queijo quentinho também, dos melhores que já comi na vida! Tudo ao som de Jack Johnson. Ficamos brisando por ali um tempo, tiramos zilhões de fotos (até o Thiago não resistiu e pegou a câmera dele! Óh!)

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Aprendi como se lubrifica a corrente da moto (igual bike, mas a diferença é que pra girar o pneu é um pouquinho mais pesado, além de ter que “tombar” um pouquinho a moto de lado). E seguimos com nosso incrível GPS na moto buscando a saída da ilha. Fizemos um tour bem lindo por Floripa nessa brincadeira, o sol estava belíssimo, os termômetros marcavam 29 graus e mesmo de jaqueta, bota e luva, o dia bonito fez um bem danado pra nós e pro nosso humor, compensando o cansaço (e a chuva!) do dia anterior.

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Paramos pra abastecer e ouvimos várias dicas de um senhor, frentista, que morou 15 anos em Urubici e nos contava dos morros com um brilho nos olhos de quem queria subir na moto e seguir com a gente! Dali pegamos a BR-282, uma estrada simplesmente LINDA! Serra do Tabuleiro, linda, lindaaaaa.

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Estrada livre na maior parte do tempo e subindo, subindo, e curva, curva, mata, morro, lindo, lindo demais. Tirei mais de 200 fotos, todas do mesmo ângulo, rs.. mas tinha que tentar registrar um pouquinho da beleza que meus olhos pareciam não acreditar. Aí sim, a gente falava: Tá vendo, você não queria viajar de moto? Santa Catarina?

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Fizemos uma parada apenas e seguimos direto pra Urubici, chegando por volta das 16h. No entorno da cidade estão os lugares mais aguardados por nós: Morro da Igreja, Serra do Corvo Branco e ela, a tão sonhada SERRA DO RIO DO RASTRO. Eu sonho em conhecer estes lugares desde 2006, quando vi as fotos de viagem de dois amigos, a Lú e o Allison. (bjos!) O Thiago ouviu falar da SRR por acompanhar os destinos que o pessoal que curte moto costuma indicar e tal. E, gente, realmente, quem curte viajar de moto PRECISA conhecer as serras catarinenses! E isso porque eu não vi quase nada, mas só a estrada de hoje já valeu os 1.055 (uhuuu) quilômetros até aqui.

Como chegamos relativamente cedo, decidimos seguir para o Morro da Igreja, mais 35 kms. A temperatura caindo, caindo, a estrada linda, subindo, subindo, garoando e: neblina! Muita neblina, até termos que parar porque simplesmente não dava pra enxergar NADA. Era bonito, diferente, divertido, era incrível! Certeza que vamos lembrar dessa aventura pro resto da vida!

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Paramos então, meio a contra-gosto, claro, colocamos mais roupa e até a balaclava porque estava muito, muito frio. Tentei aquecer as mãos perto do motor da moto mas tava difícil, mas a alegria que sentia de estar ali, de ter rodado mais de mil quilômetros era tanta que deu pra suportar tudo com um sorriso na cara. Fizemos o caminho de volta felizes da vida e ainda fomos presenteados, novamente, por nuvens alaranjadas de fim de tarde.

Amanhã vamos partir pras serras, talvez passemos mais uma noite em Urubici, não sabemos ainda, vai depender das condições de visibilidade (rs..). O fato é que este dia valeu muito a pena! E a gente merecia muito tudo isso!!!

Vídeos deste dia aqui

Dia 03 – Florianópolis-Urubici – 250 kms

Dia 02 – Curitiba-Florianópolis – 350 kms

A ideia hoje era descer a Estrada da Graciosa que, por algum motivo que nem eu mesma sei bem, ainda não conheci de bicicleta, nem com tantas edições do Bonde Curitiba. Mas o dia amanheceu chuvoso e tivemos que mudar os planos. É, rolou aquela dúvida, vamos? Não vamos? Mas chegamos à conclusão de que seria mais prudente seguir direto pra Floripa e evitar a serra com piso molhado.

Colocamos capa de chuva, galocha, toda essa parafernália básica e seguimos pela BR-101 com destino a Floripa. Uma serrinha muito bonita faz valer o caminho, cheia de curvas e muito verde. Paramos por volta das 12h, para o nosso café da manhã-almoço-de-estrada, já na divisa  de estados.

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100 kms depois, uma nova parada (a gente faz mais ou menos essa média de 100 km sem parar mas varia conforme o cansaço, as condições da estrada etc.). Como faltavam apenas uns 130 kms pela frente, decidimos descansar bastante pra seguir o trecho final de uma só vez. Então alongamos, checamos as mensagens das pessoas queridas e olhamos pro céu: chuva. Chuva, chuva, chuva. Demos mais um tempo e seguimos quando a chuva deu uma trégua, de olho mais no asfalto do que na água caindo. Mas alguns quilômetros à frente tivemos que parar e investir no kit impermeabilidade completo. Veio muita, muita chuva, mas aos poucos foi passando. Chegamos em Navegantes e a estrada começou a ficar mais cheia e com muitos caminhões. Eu sempre olho estes caminhões grandes e lembro daquele trecho do filme Premonição em que toca Highway to hell no rádio e as toras de madeira do caminhão saem rolando pela estrada, rs.. só que no caso eram caminhões transportando carros.. Trecho chato, até Balneário Camboriú onde também continuou chato, rs.. a maior concentração de motoristas sem noção até então. Muita gente fazendo bobeira na estrada mas deu tudo certo. A natureza pra compensar nos proporcionou lindas nuvens alaranjadas em meio ao cinza da chuva, espetáculo à parte!

Dali pra frente o tempo foi se arrastando, estávamos cansados, sem comunicadores (a gente usa rádios comunicadores nos capacetes mas com o barulho da estrada eles não estão dando conta). A chuva atrapalhava, o Thiago diversas vezes abria um pouco a viseira pra desembaçar, perguntava se eu queria parar mas acho que nós dois queríamos ir direto e parar de uma vez.

Chegando perto de Floripa o trânsito foi piorando e acabamos perdendo a entrada pois ou se prestava atenção às barbeiragens, ou nas placas. Aproveitamos o erro pra parar, esticar as pernas, tirar o capacete (porque o capacete ainda me incomoda bastante) e tentar manter o humor:  “tá vendo, você não queria andar de moto? Não queria ir pra Santa Catarina?”

Já em Floripa, indo pra Lagoa da Conceição erramos novamente o caminho, saímos nela, mas do outro lado.. O Thiago providenciou um GPS e por volta das 20h conseguimos chegar pra descansar.

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Tomando agora uma caipiroska pra relaxar, e rindo das aventuras do dia. Vamos dar ainda uma olhada nos mapas e escolher uns lugares em Floripa pra conhecer rapidamente e seguir viagem, porque mesmo com o cansaço de hoje, a gente sabe que amanhã é um novo dia e a vontade de voltar pra estrada nos persegue.

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“Vai, você não queria viajar de moto?” 

 

Vídeo deste dia aqui!!!

Dia 02 – Curitiba-Florianópolis – 350 kms

Dia 01 – SP-Curitiba – 455kms

Primeiro dia! Destino: Curitiba. Pra evitar um longo trecho pela BR-116 decidimos ir pelo litoral de São Paulo via Imigrantes. Não costumo gostar de passar de moto em túneis mas a descida da serra por eles foi bem tranquila. Parada em Peruibe para eu dar um beijo nos meus pais mas eles tinham subido pra São Paulo, saudadinha ficou comigo.. Tomamos o “café da manhã do meio dia” e voltamos pra estrada.

Enquanto eu fotografava, o motorista ao lado dava tchauzinho pra gente. Simpatia na estrada, a gente curte!
Enquanto eu fotografava, o motorista ao lado dava tchauzinho pra gente. Simpatia na estrada, a gente curte!

O trecho de Itariri, Pedro de Toledo fez valer a pena ter rodado 50 quilômetros a mais, estrada livre, sinuosa e cheia de belas paisagens. A BR-116 até que é tranquila, duas faixas, até três em alguns pontos. Depois do km 500 há um trecho surreal onde 3 faixas se tornam uma só, logo depois de uma curva! Mas de resto, bem tranquila mesmo, confesso que estava preocupada com esse pedaço da viagem.

Foi a maior quilometragem de moto num único dia, que por sinal estava lindo. Pelo que me lembro também a primeira viagem de moto que não pegamos chuva, nenhuma gota!!! A temperatura foi caindo aos poucos até chegarmos em Curitiba no ínicio da noite, tive que colocar as luvas impermeáveis, mais quentes pois minhas mãos já queriam congelar! De moto, o vento interfere muito no conforto, então, decidi desta vez sair desde São Paulo com um lenço no pescoço e foi uma ótima ideia, mesmo que não esteja muito frio faz bastante diferença, fica a dica;)

Bom, chegando em Curitiba, demos de cara com isso:

Nããããooooo...
Nããããooooo…

É, apesar dos ônibus incríveis, os curitibanos também tem que lidar com o excesso de veículos.

Abrigo no Roma Hostel, bem no centro, do lado do shopping (comer na praça de alimentação, ô coisa paulista..) e descansar porque amanhã tem Serra da Graciosa e mais uns 290 kms rumo a Floripa!

Uma dica importante gente é sempre que fechar o baú da moto, tirar a chave! rs.. É, rodamos 100 kms com a chave pendurada no baú e só percebemos quando paramos! Além da chave, o controle do alarme também podia ter se perdido pela estrada, não seria nada legal..

Crianças não façam isso em casa!

O vídeo deste dia aqui

Dia 01 – SP-Curitiba – 455kms