Libvee: uma experiência pra ficar na memória..

Tinha tudo pra ser uma experiência linda! Experimentar a cidade de bicicleta, passando por lugares encantadores como o Teatro Municipal, mas infelizmente, pra mim o Libvee não passou de uma grande frustração.

Quando soube do evento, corri para me inscrever e tratei de divulgar pra todo mundo. Elogiei várias coisas legais no decorrer da semana e estava super empolgada pra participar. O grande diferencial pra mim era a escolha do trajeto + o fato de ser um passeio noturno. Achei também que a iniciativa poderia fazer muita gente se surpreender e descobrir como pedalar por São Paulo é gostoso, como há beleza escondida por aí.

Retirei minha bike tranquilamente, peguei uma certa fila pros ajustes, o que era compreensível, afinal, tinha bastante gente. (embora uma só bomba pra encher 800 pneus seja pouco, mas ok, a gente releva)

Achei que ia ajustar só a altura do selim mas precisei de ajuste nos freios, que estavam pegando na roda, no pezinho, que estava pegando no pneu, que por sua vez estava bem vazio. Tudo certo, dei umas voltinhas com a bike, me entendi com o câmbio, embora ele não estivesse bem regulado, achei que dava pra administrar.

 Aos poucos fui encontrando amigos, fazendo novos até que chegou a hora de começar a sair pro passeio. A Vanessa subiu na bike e, ops, o guidão estava totalmente solto!

Correria pra apertar o parafuso, aí notei que havia uma fila enorme ainda de gente que estava esperando a sua vez de ajustar a bicicleta. O namorado da Gabi também estava ainda tentando ajustar o freio, que estava pegando na roda. Não entendi porque o passeio estava saindo se as bikes não estavam todas prontas.

 Ficamos ali esperando e o Memorial foi esvaziando, esvaziando. Os organizadores começaram a gritar com a gente como se estivéssemos fazendo hora pra sair, explicamos que faltava ajustar bikes ainda mas eles não ouviam, só gritavam. Chegaram a brigar entre eles. O organizador do carro gritando para o rapaz que arrumava a bicicleta e o mesmo dizendo: mas tem que arrumar! Tá arrumando!

E seguimos, um grupinho sendo “empurrado” pra alcançar o restante do passeio enquanto correntes caiam, marchas não mudavam, pedais afrouxavam, mas conseguimos, alcançamos a galera no minhocão.

Eu conversava com a Vanessa, falando um pouco do minhocão, de como é pedalar em SP, já que ela está há poucos meses na cidade e iniciando nas pedaladas. Nisso ela percebeu algo estranho no pedal. Paramos e chequei, o pedal estava frouxo. Falei pra seguirmos e na próxima parada faríamos o ajuste. (já que a organização só falava isso quando alguém reclamava de problemas com a bike) Mas o pedal piorou e paramos denovo, pessoas da organização encostaram e olharam, disseram que teria que esperar o carro de apoio pra Vanessa e a bike dela irem de carona. Fiquei mega chateada, mas torcia pra que logo fosse resolvido e ela voltasse a pedalar.

Enquanto isso, parou um carro da organização numa abordagem um tanto grossa do tipo: o que vocês estão fazendo aí? Sim, estávamos esperando o carro de apoio. Perguntei onde seria a próxima parada pra encontrar com a Vanessa. O organizador foi super grosso e disse que não podíamos ficar parados em cima do minhocão, que eu tinha que decidir ir no carro ou pedalando. Optei por pedalar enquanto arrumava a corrente que havia caído novamente, mas queria saber onde seria a próxima parada. Um monitor de moto encostou e disse que ia junto comigo. Ok, mas onde vai ser a próxima parada? Ninguém me respondeu.

Pedalei uns 100 metros junto com a moto, a corrente caiu denovo, parei pra arrumar e em segundos estava sozinha no meio do minhocão. O carro com as bikes quebradas que a pouco estava ao meu lado havia arrancado, o carro da CET junto dele e a moto nem sinal, nem um pedestre, nada, só eu, uma bike que não me permitia pedalar e o vento, em cima do minhocão..

Aos trancos e barrancos consegui seguir em frente, às vezes empurrando, às vezes pedalando, às vezes parando pra arrumar a corrente.

Naquele momento já tinha desistido totalmente do passeio, queria encontrar uma estação de metrô e ir embora, mas não conheço bem a região, fui seguindo a intuição e as placas, passei pelo Largo do Arouche e encontrei mais uns 4 ciclistas perdidos, um deles empurrando a bike porque o pedal tinha quebrado.

Já perto da República encontrei a turminha da organização do Libvee, aquela que me largou lá no minhocão, com alguns retardatários, quando um “monitor” se aproximou de mim pra perguntar do meu capacete, descontei toda a minha raiva nele, mandei ele se fuder pois haviam me deixado sozinha no meio do minhocão, com uma bike sem condições de uso.

Quem me conhece sabe, sou extremamente paciente e calma, jamais falo palavrão e raramente sou grossa, mas àquela altura eu tinha que dizer uma verdade e pra pessoa certa, já que o rapaz não estava nem aí com ninguém o trajeto todo, nos tratava como os que estavam atrapalhando, como se tivéssemos escolhido ficar pra trás e ficar parando a cada esquina pra tentar arrumar a bicicleta.

Infelizmente, pra mim o sentimento que ficou foi o de frustração e tristeza. De nada adianta ter uma idéia fantástica, se na hora de executar tratamos as pessoas com descaso, sem respeito.

Por que o passeio saiu sem estarem todos com as bikes ok?

Por que pessoas foram deixadas para trás no caminho?

Por que bicicletas que acabaram de sair da fábrica estavam quebrando?

Torço para que a experiência dos demais tenha sido diferente, que tenham tido mais sorte com suas bicicletas e estejam agora desfrutando de um passeio gostoso pois o clima entre os participantes estava muito bom!

Lamento ter tido que passar por isso. Acreditei demais na proposta, ajudei a divulgar, queria ter desfrutado de tudo aquilo que o passeio deveria ter sido.

Mas fiquei pra trás e tive que me virar.

Depois do metrô e trem ainda tive que encarar os 5km até minha casa parando a cada esquina, mas cheguei, estou bem, embora a galera que trabalhou hoje no Libvee pouco se importe com isso.

Ah, o equipamento de áudio de vocês está disponível para retirada aqui em casa.

Agradeço a Houston, ao Libvee e todos os envolvidos que fizeram da minha noite uma experiência lamentável…

PS:  Acabo de receber notícias da minha amiga cujo pedal quebrou:

“…estava saindo o pedal!
Daí me botaram, junto com a bike na caminhonete com mais umas pessoas que estavam com as bikes estragadas, para os mecânicos arrumarem tudo no próximo ponto de descanso. Mas a caminhonete falhou na praça da Sé.. Empurramos, mas não funcionou. Tinha acabado o combustíbuvel¬¬
Daí a gente pegou o metrô até Barra Funda, lá ninguém se responsabilizou por nada, a gente perdeu o passeio, as bikes estavam um lixo.
Eu voltei para casa indignada.”
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Libvee: uma experiência pra ficar na memória..

12 comentários sobre “Libvee: uma experiência pra ficar na memória..

  1. Camila, realmente, pra você mandar o cara se fuder é porque a coisa tava feia, feia demais!
    Também me estressei muito no evento. Não aguentei ficar até o final. Por sorte, estava com a minha bike… porque era lamentável ver o amontoado de ciclistas com problemas mecânicos em uma bike que acabaram de adquirir.

    O pior, monitores que mal sabiam o que era uma chave alle, sem nenhuma ferramenta, com o propósito único de tocar os ciclistas como se fossem uma boiada. Os perrengues pouco importavam para eles. O negócio era não parar…

    Queria muito que todos os ciclistas iniciantes que tiveram essa experiência frustrada não tivessem o LibVee como parâmetro. Sugiro, agora, pegarem as suas bikes e participarem de movimentos como a Bicicletada, as Pedalinas, o Bike Anjo, Pedal Verde… e ver que a simplicidade e a humildade, muitas vezes, é o que faz toda a diferença nessas horas!

    Boa sorte com a sua nova bike-já quebrada!

    Beijos,
    Evelyn

  2. Mto triste mesmo o descaso dos organizadores. A minha experiência foi boa e não tive problemas com a bike, mas ficava preocupada a cada bike quebrada ou sendo consertada pelo caminho, e pensava: “será que vai acontecer comigo tbém?”
    Achei mega chato terem barrado no Liceu o pessoal estava acompanhando e AJUDANDO com as bicicletas problemáticas. Espero que tenha servido de lição pros organizadores, que eles leiam e absorvam todas as críticas, pra que o próximo evento seja menos traumático!

  3. é muito triste ler um relato desses…
    eu já passei por algo parecido, mas ninguém estava organizando, foi um pedal combinado em grupo, e eu acabei me perdendo… mas acho que eu faria a mesma coisa no seu lugar.
    boa sorte na próxima.

  4. Trouxe uma amiga da Alemanha pra conhecer, e só passei raiva e vergonha! So consegui subir metade do minhocão e o “carro” da organização era uma caminhonete velha, que deu problema na Sé e tivemos que empurrar.
    Voltei para o Memorial e não tinha NINGUÉM para responder NADA!
    O pessoal que estava com a camiseta da organização estava com a bunda grudada na cadeira e nao veio falar com a gente. O pessoal da Huston, fez que não estavamos lá… Me sinto muito lesada.
    To esperando ao menos um pedido de desculpas da organização. Será que vai rolar?

  5. […] participou do evento em SP no último domingo sabe dos diversos problemas que as bicicletas apresentaram. Por isso a fabricante promete providenciar os consertos necessários neste fim de semana no […]

  6. Carol Antunes disse:

    Triste mesmo.. Minha corrente saiu e os caras da organização me ignoraram. Tive que gritar para eles me ajudarem. Depois decidi não tocar mais nas marchas. Também tive que fazer cerca de 4 km para chegar em casa com a bike aos trancos… Tão diferente da bicicletada, evento gratuito em que todo mundo é super atencioso uns com os outros. E sem ajuda de polícia e CET.

  7. Linus Troller disse:

    Eu já tinha cantado essa bola, que o evento parecia ser super bacana mas, na verdade, era uma cilada (bino! rs)!!!

    A combinação bike podre de supermercado com uma organização horrível só poderia dar em merda! Sobre a organização eu não tinha falado nada, até pq ninguém espera que fosse tão ruim como foi, agora, sobre a bike…. tá na cara que aquilo é uma cilada! Qualquer jeca que entende um pouquinho de bike bate o olho e vê que aquilo é lixo puro, e foi um lixo caro!!!!

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