>Você reclama, eu pedalo! Obrigada!

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Em agosto do ano passado rolaram duas matérias sobre bicicletas que me fizeram reagir. Na época pretendia postar aqui no blog mas acabei guardando o rascunho e não publicando pois precisava buscar uns links e na correria acabou passando.
 Essa semana uma destas matérias ressurgiu das cinzas (onde deveria descansar em paz, diga-se de passagem..) então decidi resgatar e finalizar o post:

Quando comecei a escrever este blog eu trabalhava a 6 km de casa, distância que vencia em meia hora de pedalada tranquilamente. Contava ainda com um vestiário bem bacana na empresa, onde tomava banho e me arrumava para o trabalho.

Em janeiro de 2010 comecei a trabalhar na zona sul, uns 25 km de casa. Decidi então que iria pedalando até a estação de trem (6km de casa) e lá embarcaria para uma viagem de meia hora, concluindo assim meu trajeto diário. E isso vinha funcionando bem. Nos dias em que não tinha nenhum compromisso a noite, deixava a bicicleta num estacionamento em Osasco (sim, estacionamento cujo dono aceitou receber minha bike pela contribuição mensal de R$ 20,00, coisa que mais de 8 estacionamentos da região não se dispuseram a fazer, lembrando que em Osasco bicicletário CPTM é lenda, quem sabe ano que vem? Pedala e espera…).

Logo comecei a fazer um curso na Lapa, a noite, então, duas vezes por semana passei a embarcar minha bicicleta dobrável no trem para garantir que chegaria no horário no curso (adiantada…) e com disposição, claro!

O curso passou para 4 vezes por semana, em lugares diferentes… começou a ficar meio sem nexo carregar a dobrável no trem praticamente a semana inteira. Passei então a pensar em ir pedalando o trajeto todo para o trabalho. Vinha ensaiando virtualmente os caminhos e me planejando, mas sem data definida para o teste, mas semana passada, após ouvir tantas histórias bacanas no encontro das Pedalinas, me enchi de motivação e empolgação e decidi que esta semana (agosto/2010) faria meu trajeto completo pedalando. O empurrão final, para que eu definisse a data foi um texto da Barbara Gancia (que pode ser lido aqui – e a resposta brilhante da pedalina Drielle), afinal, quando alguém diz que o meio de tranporte que você usa diariamente em São Paulo e que te trouxe tantos benefícios não cabe na cidade com naturalidade, você ganha pelo menos mais um motivo pra pedalar: mostrar o contrário.

Então, na terça passada encarei os 25km pedalando e, como sempre, foi ótimo! Uma hora e vinte minutos vendo a cidade despertar, as aves sassaricarem freneticamente nos galhos dos belíssimos ipês floridos. (você já notou como a cidade está florida?) Pais deixando as crianças na escola, Ceagesp em pleno abastecimento, pessoas estressadas já às 7 da manhã (como pode?) e muitos, assim como eu, pedalando, cada um no seu ritmo seguindo seu caminho. Cheguei ao trabalho adiantada, tomei um reforçado café da manhã (eu merecia!) e segui meu dia cheia de disposição, e feliz, por ter finalmente ter colocado estes planos em prática.

Aí no meio da semana aconteceu uma coisa interessante, vi a reportagem: “Passeios noturnos de bicicleta atrapalham o trânsito”, uma pérola da ignorância. Nela, um “advogado especialista em trânsito” distorcendo o Código de Trânsito Brasileiro.
Então tá.. em poucos dias eu lia que bicicletas não cabem com naturalidade em São Paulo (como se não houvessem mais de 300 mil deslocamentos diários através delas na cidade), na sequência uma reclamação de que os passeios de bike estavam atrapalhando o trânsito e pra finalizar toda aquela distorção das leis que estão ali, claras no CTB! Fiquei com uma sensação estranha.. uma sensação de que os motoristas que reclamavam se sentiam numa espécie de “carrovia”, um lugar reservado só para os carros! E que aquele senhor “especialista em trânsito” jamais lera em sua vida alguns poucos artigos do CTB que falam das bicicletas. Decidi que engoliria a matéria, mesmo sem concordar, claro. MAS, em protesto (desculpa pra pedalar…), na sexta-feira eu iria novamente de bicicleta os meus 25 km!

E lá fui eu!

Sai um pouco mais tarde do que da vez anterior, já que agora sabia melhor o tempo do trajeto. Atravessando a ponte próxima ao Cebolão comecei a estranhar: quantos carros! Um volume muito maior que o da terça anterior! Prossegui até a empresa, levando minha uma hora e vinte novamente e descobrindo mais algumas ruas novas.

No fim do dia segui para o meu curso no Butantã. Na saída da região da Berrini, tudo normal para o horário: parado. Uma fila sem fim de carros enfileirados nas ruas. Com cuidado fui desviando deles e segui para a vila Olímpia. Uma cena incrível: A rua Funchal totalmente vazia! Não havia um veículo automotor, em nenhuma das faixas, em nenhum sentido! Alguns faróis à frente eu os encontrei, os carros. Segui até a Faria Lima e lá estavam: muitos, muitos carros parados, ocupando todas as faixas da rua. Eram tantos e alguns inclusive bloqueavam os cruzamentos! Enquanto passava pelo corredor, além de me sentir novamente na época da Copa do Mundo**, eu lembrava dos textos que tinha lido, lembrava das bicicletas que atrapalham o trânsito! E havia várias bicicletas! Todas em movimento, óbvio. Acho que foi o dia em que me senti mais segura em pedalar pela cidade, e olha só que interessante: em uma grande avenida, coisa que sempre evito por achar muito tenso, muito poluído, muito barulhento. A grande diferença era que: se havia algum motorista ali cujo comportamento dirigindo pudesse me colocar em risco, eu estava livre dele! Me lembrou um pouco minhas voltas da estação de trem para casa de bike, onde passo por uma avenida que mais parece um circuito de Fórmula 1 dada a concentração de velocistas que por ali dirigem, porém, às 18:40h eles estão sempre parados, diariamente, até às 20h, então sempre segui por ali tranqüila, sem medo de ser feliz!

Mas ultrapassando todos aqueles carros parados (quantas centenas será que passei?) a coisa era diferente, afinal, era a avenida Faria Lima e eu seguia alguns quilômetros por ela nesta situação! Em dado momento vi uma moto atrás de mim, dei espaço e sinalizei para o motociclista passar, ele não foi, insisti, ele não quis. Olhei à frente, outro cruzamento bloqueado por carros, entendi que ele não precisava mesmo ter pressa.

Cheguei ao meu destino e olhei no relógio: 10 minutos mais cedo que o habitual! Ah, tá!
O famoso: Eu transito, você congestiona!

Quem é mesmo que atrapalha o trânsito na cidade?

Meta estabelecida na cidade de SP com a inauguração da Ponte Estaiada
Acesso para transporte coletivo? ciclistas? pedestres? Não! Só carros!

Obrigada Barbara Gancia!
Obrigada senhor “advogado especialista em trânsito” Ciro Vidal!

Você reclama, eu pedalo.

** Nos dias de jogos da seleção brasileira na Copa instaurou-se o caos total na cidade.. moNstroristas subiam em calçadas, fechavam cruzamentos, parecia mais uma guerra onde matar ou morrer tanto fazia, desde que terminasse antes do ínício do futebol.. E eu seguia de bike, passando por todos eles, os parados, que insistem em congestionar e poluir meu trajeto, tsc..

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