Transportando o jantar

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Por onde (e como) ando

Estou sumida de tudo, não consigo acompanhar tantas atividades legais envolvendo bicicleta e mobilidade, o fato é que estou de emprego novo, adorando, mas trabalhando muito.

Umas das coisas mais legais é que agora vou de bicicleta todo dia:) 14km fazendo voltinhas por vias alternativas, uma horinha de pedalada na maioria das vezes por ruas lindas e tranquilas. Estou até me dando o luxo de passar por dentro do Parque Villa Lobos de manhã, assim evito a Av. Fonseca Rodrigues, onde o limite de velocidade são assassinos 60km/h e ainda assim há os que dobram essa velocidade e ainda passam em faróis vermelhos… Então invisto uns minutinhos a mais e passo por dentro do parque, vejo pessoas em busca de qualidade de vida se exercitando de manhã, estacionamento cheio, e me lembro que meu trajeto já me proporciona uma atividade física fantástica.

Quando por algum motivo preciso ir de trem o dia não é tão bom, não tenho a mesma disposição no trabalho, é impressionante a diferença que ir de bike faz! Chego bem humorada, sem frio mesmo quando está aquele vento gelado, realmente disposta!

Na hora de voltar pra casa aproveito a pedalada pra relaxar, às vezes faço planos pra vida, ou apenas fico cantarolando, pego a subida monstro já perto de casa e percebo como a cada dia o condicionamento físico melhora, embora a poluição me faça um mal danado. Aliás, por que é que eu tenho que lidar com a poluição do carro dos outros, hein?

Semana passada teve o Dia Mundial Sem Carro, o 22 de setembro que convida à  reflexão quanto ao uso desenfreado (literalmente..) dos carros.. o espaço, o tempo e a saúde que eles tomam das pessoas… Há quase 4 anos a bicicleta entrou na minha vida como uma tentativa de fugir dos congestionamentos, atrasos, estresse e gastos no meu deslocamento diário ao trabalho. Deu tão certo que logo ela se tornou meu principal meio de transporte. Se é mais longe, a integro com trens e metrô, se é perto, não há dúvidas, eu vou pedalando. Porque eu me acostumei a saber exatamente quanto tempo vou gastar no meu trajeto e porque sei que vou chegar feliz.

E eu vejo cada dia mais e mais ciclistas no meu caminho, recebo cada dia mais gentilezas de motoristas e até de pedestres. Ganho tchauzinho e sorriso das crianças, vejo passarinhos, árvores, flores, eu vivo a minha cidade, com seus problemas e belezas.

Noite passada as flores da sibipiruna caíram, amarelinhas, um lindo tapete pra pedalar. E as amoras tem transformado minha bicicleta bege em roxa:)

Encontro amigos no caminho, podemos parar, conversar. Se der sorte, ainda se forma um bonde, pelo menos por algumas quadras e depois cada um segue seu caminho, com um sorriso bobo na cara.

Não preciso fugir dos problemas da minha cidade, eu encontrei, assim, por acaso, um jeito de conviver com tudo de forma mais humana, com olhos mais atentos. E sugiro que você experimente, porque eu não conheço ninguém que tenha começado a pedalar e não tenha se apaixonado por este novo jeito de enxergar a vida e vivê-la!

Quando eu pego o elevador e leio no televisorzinho: 197km de lentidão – eu penso:

Lentidão?

Pra quem?

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Coisas que eu vejo de bike, parte I

 

Proximidades do Largo da Batata, Pinheiros.

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A vez do amarelo

Será que algum motorista reparou?

 

Zona Oeste - São Paulo

 

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Pedalinas ensinam a pedalar este domingo!

Oficina para meninas e meninos!

Pedalinas emprestam suas bicicletas e conhecimentos pra você dar suas primeiras pedaladas!

Veja como foi a primeira oficina: http://pedalinas.wordpress.com/2011/05/09/a-primeira-vez-a-gente-nunca-esquece/

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Houston promete consertar as bikes do Libvee esse fds!

Sua bicicleta também quebrou no Libvee?

A Houston promete consertá-la esse fim de semana, confira aqui.

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Libvee: uma experiência pra ficar na memória..

Tinha tudo pra ser uma experiência linda! Experimentar a cidade de bicicleta, passando por lugares encantadores como o Teatro Municipal, mas infelizmente, pra mim o Libvee não passou de uma grande frustração.

Quando soube do evento, corri para me inscrever e tratei de divulgar pra todo mundo. Elogiei várias coisas legais no decorrer da semana e estava super empolgada pra participar. O grande diferencial pra mim era a escolha do trajeto + o fato de ser um passeio noturno. Achei também que a iniciativa poderia fazer muita gente se surpreender e descobrir como pedalar por São Paulo é gostoso, como há beleza escondida por aí.

Retirei minha bike tranquilamente, peguei uma certa fila pros ajustes, o que era compreensível, afinal, tinha bastante gente. (embora uma só bomba pra encher 800 pneus seja pouco, mas ok, a gente releva)

Achei que ia ajustar só a altura do selim mas precisei de ajuste nos freios, que estavam pegando na roda, no pezinho, que estava pegando no pneu, que por sua vez estava bem vazio. Tudo certo, dei umas voltinhas com a bike, me entendi com o câmbio, embora ele não estivesse bem regulado, achei que dava pra administrar.

 Aos poucos fui encontrando amigos, fazendo novos até que chegou a hora de começar a sair pro passeio. A Vanessa subiu na bike e, ops, o guidão estava totalmente solto!

Correria pra apertar o parafuso, aí notei que havia uma fila enorme ainda de gente que estava esperando a sua vez de ajustar a bicicleta. O namorado da Gabi também estava ainda tentando ajustar o freio, que estava pegando na roda. Não entendi porque o passeio estava saindo se as bikes não estavam todas prontas.

 Ficamos ali esperando e o Memorial foi esvaziando, esvaziando. Os organizadores começaram a gritar com a gente como se estivéssemos fazendo hora pra sair, explicamos que faltava ajustar bikes ainda mas eles não ouviam, só gritavam. Chegaram a brigar entre eles. O organizador do carro gritando para o rapaz que arrumava a bicicleta e o mesmo dizendo: mas tem que arrumar! Tá arrumando!

E seguimos, um grupinho sendo “empurrado” pra alcançar o restante do passeio enquanto correntes caiam, marchas não mudavam, pedais afrouxavam, mas conseguimos, alcançamos a galera no minhocão.

Eu conversava com a Vanessa, falando um pouco do minhocão, de como é pedalar em SP, já que ela está há poucos meses na cidade e iniciando nas pedaladas. Nisso ela percebeu algo estranho no pedal. Paramos e chequei, o pedal estava frouxo. Falei pra seguirmos e na próxima parada faríamos o ajuste. (já que a organização só falava isso quando alguém reclamava de problemas com a bike) Mas o pedal piorou e paramos denovo, pessoas da organização encostaram e olharam, disseram que teria que esperar o carro de apoio pra Vanessa e a bike dela irem de carona. Fiquei mega chateada, mas torcia pra que logo fosse resolvido e ela voltasse a pedalar.

Enquanto isso, parou um carro da organização numa abordagem um tanto grossa do tipo: o que vocês estão fazendo aí? Sim, estávamos esperando o carro de apoio. Perguntei onde seria a próxima parada pra encontrar com a Vanessa. O organizador foi super grosso e disse que não podíamos ficar parados em cima do minhocão, que eu tinha que decidir ir no carro ou pedalando. Optei por pedalar enquanto arrumava a corrente que havia caído novamente, mas queria saber onde seria a próxima parada. Um monitor de moto encostou e disse que ia junto comigo. Ok, mas onde vai ser a próxima parada? Ninguém me respondeu.

Pedalei uns 100 metros junto com a moto, a corrente caiu denovo, parei pra arrumar e em segundos estava sozinha no meio do minhocão. O carro com as bikes quebradas que a pouco estava ao meu lado havia arrancado, o carro da CET junto dele e a moto nem sinal, nem um pedestre, nada, só eu, uma bike que não me permitia pedalar e o vento, em cima do minhocão..

Aos trancos e barrancos consegui seguir em frente, às vezes empurrando, às vezes pedalando, às vezes parando pra arrumar a corrente.

Naquele momento já tinha desistido totalmente do passeio, queria encontrar uma estação de metrô e ir embora, mas não conheço bem a região, fui seguindo a intuição e as placas, passei pelo Largo do Arouche e encontrei mais uns 4 ciclistas perdidos, um deles empurrando a bike porque o pedal tinha quebrado.

Já perto da República encontrei a turminha da organização do Libvee, aquela que me largou lá no minhocão, com alguns retardatários, quando um “monitor” se aproximou de mim pra perguntar do meu capacete, descontei toda a minha raiva nele, mandei ele se fuder pois haviam me deixado sozinha no meio do minhocão, com uma bike sem condições de uso.

Quem me conhece sabe, sou extremamente paciente e calma, jamais falo palavrão e raramente sou grossa, mas àquela altura eu tinha que dizer uma verdade e pra pessoa certa, já que o rapaz não estava nem aí com ninguém o trajeto todo, nos tratava como os que estavam atrapalhando, como se tivéssemos escolhido ficar pra trás e ficar parando a cada esquina pra tentar arrumar a bicicleta.

Infelizmente, pra mim o sentimento que ficou foi o de frustração e tristeza. De nada adianta ter uma idéia fantástica, se na hora de executar tratamos as pessoas com descaso, sem respeito.

Por que o passeio saiu sem estarem todos com as bikes ok?

Por que pessoas foram deixadas para trás no caminho?

Por que bicicletas que acabaram de sair da fábrica estavam quebrando?

Torço para que a experiência dos demais tenha sido diferente, que tenham tido mais sorte com suas bicicletas e estejam agora desfrutando de um passeio gostoso pois o clima entre os participantes estava muito bom!

Lamento ter tido que passar por isso. Acreditei demais na proposta, ajudei a divulgar, queria ter desfrutado de tudo aquilo que o passeio deveria ter sido.

Mas fiquei pra trás e tive que me virar.

Depois do metrô e trem ainda tive que encarar os 5km até minha casa parando a cada esquina, mas cheguei, estou bem, embora a galera que trabalhou hoje no Libvee pouco se importe com isso.

Ah, o equipamento de áudio de vocês está disponível para retirada aqui em casa.

Agradeço a Houston, ao Libvee e todos os envolvidos que fizeram da minha noite uma experiência lamentável…

PS:  Acabo de receber notícias da minha amiga cujo pedal quebrou:

“…estava saindo o pedal!
Daí me botaram, junto com a bike na caminhonete com mais umas pessoas que estavam com as bikes estragadas, para os mecânicos arrumarem tudo no próximo ponto de descanso. Mas a caminhonete falhou na praça da Sé.. Empurramos, mas não funcionou. Tinha acabado o combustíbuvel¬¬
Daí a gente pegou o metrô até Barra Funda, lá ninguém se responsabilizou por nada, a gente perdeu o passeio, as bikes estavam um lixo.
Eu voltei para casa indignada.”
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“É que eu também pedalo!”

Ontem o Fórum com David Byrne era pra ser o ponto alto do dia, mas no caminho pro Sesc aconteceu algo surpreendente.

Já nas imediações do Largo de Pinheiros, pertinho do Sesc, percebi um carro devagar ao meu lado, olhei, era um taxista com o vidro aberto e cara amistosa.

- Boa noite! - falei tentando descobrir qual era a dele.

- Boa noite! Eu estou te escoltando!

- Puxa, que legal. É difícil encontrar taxistas gentis como você!

- É que eu também pedalo! Todo domingo: ciclovia e ciclofaixa! (ele disse com um orgulho imenso!!!)

- É isso aí! Bom trabalho! (me despedindo dele com um sorriso enorme)

Acostumada com a hostilidade da grande maioria dos taxistas que cruzam o meu caminho, este me surpreendeu demais! Ocupou a rua de forma a me deixar espaço para trafegar e a me proteger dos demais veículos, zelando pela minha segurança! E ainda explicou tudo com um: “é que eu pedalo!”

O simples fato de ele pedalar, mesmo que em locais segregados, na ciclovia e na ciclofaixa, o fez ter esse gesto de compartilhamento na rua. Ele com certeza vislumbra uma cidade melhor e sabe que isso é possível, seja pedalando no final de semana, seja dirigindo e protegendo a vida durante a semana.

Agradeço a este taxista por ter feito minha noite mais segura e feliz. Por ter mostrado com uma atitude simples, embora rara, que a mudança está acontecendo e que há motivos pra seguir acreditando numa cidade mais humana!

Sinalização surgindo nas ruas de São Paulo, legitimando a presença das bicicletas. – Projeto Ciclo Rotas

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Copenhagenize SP!

São Paulo foi provilegiada neste sábado pela presença de Mikael Colville-Andersen, o criador do movimento cycle chic e CEO da Copenhagenize, consultoria de planejamento, marketing e comunicação com foco na bicicleta sob uma perspectiva humana. 

Ele gira o mundo contando a experiência de promover a bicicleta como transporte nas grandes metrópoles, mostrando os bem-sucedidos exemplos não só de Copenhague, mas de cidades como Paris, Nova Iorque e Barcelona, esta última que em apenas 5 anos conseguiu incluir a bicicleta na vida e cotidiano da cidade.

O evento ocorreu no Sesc Pinheiros. Uma mesa de debates foi composta por Willian Cruz que utiliza bicicleta como transporte em SP há pelo menos 8 anos e é autor do blog Vá de Bike, Eduardo Jorge, secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, o vereador Gilberto Natalini e o presidente da fabricante de bicicletas Houston João Claudino Jr.

Vale destacar que, apesar de tomarem minutos preciosos de todos os presentes com suas apresentações (e auto-promoções), vereador e presidente da Houston saíram de cena em seguida. Eduardo Jorge ainda retornou para ouvir parte da palestra. (Willian Cruz obviamente acompanhou toda a palestra e contribuiu como representante dos ciclistas de SP.) Não consigo considerar como naturais, embora muito comuns, atitudes como esta. Me parecem mais uma grande falta de respeito com todos os presentes e principalmente, um desinteresse profundo em aprender e evoluir, que dirá contribuir com o desenvolvimento de nossa cidade. Mikael no meio de sua palestra perguntou pelo presidente da Houston pois tinha uma fala interessante para fabricantes de bicicleta. Ao constatar que o Sr. João Claudino  já havia ido embora, definiu a atitude em duas palavras: grande erro. (pois é!)

Mikael  foi enfático em dizer que qualquer grande cidade pode se tornar mais amigável ao ciclista e ter boa parte da população se deslocando de bicicleta. Sempre haverá diferenças, mas a essência é a mesma: as pessoas precisam ver que ir de A a B de bicicleta pode ser mais rápido e mais agradável.

Foto: Aline Cavalcante

 Governos também saem no lucro em vários aspectos incentivando cidadãos a aderirem às bicicletas. Um exemplo simples citado por ele: em Copenhague, para cada km pedalado o governo economiza 26 centavos enquanto que para cada km percorrido de carro, o governo gasta 15 centavos.

Em Copenhague 37% da população utiliza bicicleta como meio de transporte, sendo que 80% destes continuam a utiliza-la mesmo no inverno, com temperaturas que chegam a -15 graus e neve. (e você achando que está frio demais pra sair de bicicleta em SP este mês, né?)

Dentre os que pedalam estão pessoas de todas as idades. É comum pais levarem seus filhos em carrinhos que ele chamou de forma bem humorada de uma versão dos “SUVs”.  Pessoas mais idosas também tem sua mobilidade garantida em duas rodas.

Em Copenhague a versão do SUV - Foto de Willian Cruz

Mikael falou da poesia de se deslocar de bicicleta pelo contato que se estabelece com a cidade, com as pessoas a sua volta, da felicidade. 

E como conquistar mais adeptos para a bicicleta? Simples: enaltecer seu uso, prioriza-la, mostrar os benefícios que vão além dos ganhos de saúde e ambientais, mas desmistifica-la e tornar seu uso simples, prático, como deve ser. Brincou que bicicletas não precisam de nomes, de sub-culturas. Elas são simplesmente veículos, objetos que servem para tornar a vida das pessoas mais prática, como aspiradores de pó!

A palestra foi finalizada com o filme City of Cyclists… Foi inspirador, foi poético e fantástico notar que as percepções são as mesmas, seja na Dinamarca ou no Brasil, quando nos deslocamos utilizando um meio de transporte mais humano, no ritmo das pessoas que o conduzem, um universo de coisas antes despercebidas se abre à nossa volta. Senti isso ao começar a pedalar e sinto cada vez mais. Quantos lugares conheci, quanta beleza encontrei, quantos amigos fiz, quantos caminhos, quantas possibilidades para um mesmo destino. Meus trajetos são momentos de curtir a cidade, de vê-la e senti-la de perto.

A cada dia a bicicleta ocupa mais espaço nas cidades e na vida das pessoas. Uma ocupação silenciosa, feliz, daquelas que chegam pra ficar!

InspirAÇÕES que você pode experimentar por aqui:

Pedalinas

Vá de bike

Bike Anjo

Ciclocidade

Bicicletada

Ah, e o Cycle Chic?

Bem, o movimento nada tem a ver com ser chique ao pedalar como o nome pode sugerir, mas na verdade é uma tentativa de aproximar a bicicleta da realidade das pessoas, ser cycle chic é pedalar com roupas normais, a que você usaria para ir ao trabalho ou ao cinema.

Mikael atualiza o blog Copenhague Cycle Chic com cliques de pessoas e suas bicicletas em movimento ao redor do mundo, vale a pena conferir sempre: http://www.copenhagencyclechic.com/

E essa semana tem mais! É a vez de recebermos o músico David Byrne, autor do livro Diários de Bicicleta.

A Ciclocidade está oferecendo ingressos cortesia e estará no local disponibilizando um bicicletário para quem for pedalando, belas iniciativas!

É claro que eu não perder:)

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Acordou disposto a matar hoje?

Terça-feira estava indo pro trabalho pedalando e quando já estava entre Pinheiros e Jd. Paulistano, na rua Mariana Correia, rota boa pra bicicleta, me posicionei à esquerda (pra justamente entrar à esquerda) quando o motorista atrás de mim buzinou e jogou o carro pra cima, disputando o espaço comigo na curva, tentando me tirar da pista!

Ocupei o meio da faixa para ter certeza que ele não ía me tirar uma fina deixando claro que eu estava ali e então ele me ultrapassou de forma assassina, invadindo a contramão, sem se preocupar que no local a ultrapassagem é proibida, há inclusive tartarugas dividindo a pista e centímetros à frente há uma rotatória!  

Não satisfeito, ele jogou o carro pra cima de outro carro ainda na rotatória (rolou aquela buzinada clássica..) e seguiu costurando no trânsito.. Perdi as contas de quantas infrações cometeu mas sei que colocou a minha vida em risco 2 vezes e ameaçou diretamente a vida dos ocupantes do outro carro também.

Segui meu caminho observando a barbárie de longe e torcendo pra que ele não deixasse rastros de sangue no caminho. Quilômetros depois, já no final da Rua João Cachoeira o encontrei no farol, o Meriva cinza, placa EFA 7308. Encostei ao lado do motorista e dei uma batidinha no vidro. Automaticamente o motorista fez menção de sair com o carro mas aí notou que havia um carro parado à sua frente e o farol ainda continuava vermelho. Para minha surpresa, ele baixou o vidro.

- Você acordou disposto a matar hoje? Jogou o carro duas vezes pra cima de mim, depois jogou em cima do outro carro na rotatória, pra quê isso? Eu tenho vida, eu tenho família, eu quero chegar viva. Pra quê? Não estamos os dois aqui agora?

Com a maior tranquilidade e cara de frigobar ele não disse nada, segundos se passaram e ele falou: use capacete. E saiu com a abertura do farol.

E eu pergunto novamente: pra quê isso?

Capacete? O que um capacete poderia fazer se você passasse com o carro em cima de mim meu querido? Alô? Carro pode matar, sabia?

E a passageira do carro? Do mesmo jeito que estava lendo seu jornal, ficou. Um par de frigobares, feitos um para o outro..

Para minha felicidade, no cruzamento seguinte ele seguiu reto e meu caminho fazia uma conversão à direita. Aproveitei o farol para ligar para CET (1188) e informar a condução perigosa do veículo. Me orientaram a ligar para 190. O fiz e segui meu caminho, na esperança de que uma blitz pudesse parar o “cidadão”, checar documentos, enfim, acalmar a fúria em 4 rodas..

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Deixo aqui a dica: se presenciar situações deste tipo, pegue os dados do veículo, nome da rua e sentido que estava indo e passe para a Polícia pelo 190. Eles vão deixar os dados “no ar”, com sorte o veículo será parado e você pode ajudar a evitar um #naofoiacidente. Nas estradas, tenha sempre o telefone de quem administra a rodovia.

O telefone da CET, 1188, vale para denunciar infrações, como veículos estacionados em local proibido e etc. A CET aciona os agentes próximos. Se tiver tempo (máx. 30 min.) aguarde no local, você vai constatar que funciona mesmo!

Denuncie comportamentos agressivos, chega de mortes no trânsito! Ninguém precisa morrer no caminho até a padaria, ou do trabalho, ou no feriado indo pra praia…

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